26 outubro 2020, 2:16

Conselho de Consumidores de MS cria canal para reclamações

Durante as chuvas, a queda de energia se tornou um problema recorrente em Mato Grosso do Sul. Por esta razão, o Concen-MS (Conselho de Consumidores da Áreas de Concessão da Energisa MS) criou em seu site, concenms.com.br, um canal para reclamações vinculado à Energisa, com o objetivo de protocolar as queixas e levantar dados com o balanço de clientes atingidos pela falta do serviço. 

Somente em Campo Grande, entre quarta e quinta-feira (15), cerca de 19 mil pessoas de 39 bairros da Capital ficaram sem luz. Para a presidente do Concen-MS, Rosimeire Cecília da Costa, a solução para os problemas constantes de falta de energia está na tecnologia, com a implementação do sistema de self healing. 

“Esse é um sistema de desligamento automático, capaz de absorver o impacto de descargas elétricas, desligar a conexão para a autopreservação e, de forma autônoma, da própria central de controle da empresa, reiniciar os serviços. Isso será possível para os casos em que reparos in loco não forem necessários”, frisou Costa. 

Conforme Rosimeire, a Energisa informou que já está no processo de implementação desse tipo de tecnologia nas grandes cidades da rede do Estado, como Campo Grande e Dourados. “Todos nós pagamos a mesma carga e o mesmo serviço, e devemos ter acesso a um sistema de qualidade”, reiterou. 

De acordo com regulamentação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o período de restabelecimento de energia deverá ser em até quatro horas. Em entrevista ao jornal O Estado, o engenheiro elétrico Jenner Ferreira reiterou que a concessionária é obrigada, ainda, a pagar multa ao consumidor em decorrência da demora da manutenção da rede elétrica. 

Mais de 40 horas sem energia 

O produtor leiteiro e ex-coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite, Altamiro Nogueira Barbosa, após mais de 40 horas sem energia, precisou descartar cerca de 800 litros de leite que estavam no resfriador a 12ºC, o que já é considerado impróprio para o consumo. O prejuízo está estimado entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. 

Altamiro não recebeu resposta em nenhum dos oito protocolos abertos junto à concessionária Energisa. Pela falta de luz desde as 15h de quarta-feira (14), Barbosa precisou, ainda, contratar um eletricista particular para realizar troca de um fusível e manutenção na propriedade, localizada no distrito de Rochedinho, cerca de 20 km de distância da área urbana da Capital. 

“O produtor rural, hoje, não só nós produtores de leite, bem como os do setor de suinocultura e avicultura, não podem ficar sem energia por conta de todo o processo de trabalho. O que temos lutado com a Energisa é que eles criem um protocolo de procedimentos para esses casos, o que não vemos acontecendo”, reiterou Barbosa. 

Conforme o produtor, durante esse período sem energia, cerca de 1.200 litros de leite deixaram de ser produzidos. “Temos ainda mais uma perda, porque as vacas após a ordenha, reduzem a produção, então vai demorar mais um período para elas recuperarem o ritmo. Estamos torcendo também, para que elas não desenvolvam mastite, que é uma infecção da glândula mamária da vaca que ocorre quando ela fica com o leite represado”, explicou Altamiro. 

Se a mastite ocorrer, será necessária a administração de antibióticos nos animais, e um posterior descarte do leite produzido nesse período, o que poderá gerar ainda mais prejuízo para o produtor. Conforme a Procon-MS (Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor), em todo o ano passado, a Energisa foi líder no ranking de empresas com as maiores reclamações, com 2,4 mil queixas relacionadas aos serviços da concessionária. 

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