21 outubro 2020, 3:12
Foto: Alexandre Vidal

Coluna: O erro de estratégia e a falta de memória dos dirigentes

O Flamengo não errou no domingo (27). A postura equivocada com relação à disputa do Brasileirão é uma falha que deve ser atribuída aos dirigentes que administram o clube, lá se vão quase dois anos. O Flamengo, pelo qual o torcedor vibra e a imprensa acompanha, empatou com o Palmeiras e voltou pra casa com um ponto importante. O Flamengo, da garotada criada na base, tem atletas como o goleiro Hugo, destaque da partida. O jovem há 12 anos veste o uniforme rubro-negro, tem muito mais tempo no Flamengo se comparado àqueles se apresentam como dirigentes do clube da Gávea. Esses erraram, falharam ao tentar adiar uma partida não se importando com o regulamento e possíveis punições. Isso sem falar no explícito desrespeito ao torcedor. O Flamengo tinha de ir a campo como foi. E, independentemente do resultado, teria honrado sua camisa e cumprido os compromissos assumidos.

Mas, não dá para deixar passar em branco a enxurrada de críticas que o clube recebeu, como se fosse o culpado por tudo o que acontece de ruim no futebol brasileiro. Até porque, ficou parecendo que nenhum outro clube no país já recorreu a outras esferas, ou já tentou mudar a data de realização de um jogo, cancelar resultado, suspender punição à atleta, principalmente em véspera de grandes finais. São todos santos. Pelo visto, como foi dito e repercutido, só o Flamengo olhou para “o próprio umbigo” ao longo da história do futebol brasileiro.

Vale lembrar que não foi o Flamengo o responsável pela volta do Campeonato Carioca antes dos demais. O Vasco o apoiava na decisão. No último domingo (27), em nota oficial, o Sindicato de Atletas Profissionais de São Paulo (Sapesp) também pediu o adiamento da partida entre o Rubro-Negro e o Verdão. https://sindicatodeatletas.com.br/noticias/juridico/nota-oficial:-palmeiras-x-flamengo.html)

Voltando um pouco mais no tempo, nem precisamos ir longe. No dia 21 de fevereiro de 2011 a CBF reconheceu o Flamengo campeão brasileiro de 1987 (https://www.cbf.com.br/futebol-brasileiro/noticias/campeonato-brasileiro-serie-a/cbf-reconhece-titulo-do-fla). Mas, uma decisão da Justiça Comum, impediu a entidade de oficializar o reconhecimento do título. E ninguém se manifestou e ficamos assim: fingindo que o fato não houve, ou nos esquecendo dele.

Em 1986, fato semelhante aconteceu com o Fluminense, no Campeonato Carioca – e é bom destacar que o Tricolor não se manifestou na polêmica de domingo passado. Na época, o problema era a dengue e o time teve nove jogadores infectados. O clube entrou na Justiça Comum pedindo o adiamento da partida contra o Americano, o que não foi aceito. Perdeu por WO, não sofreu qualquer punição, e acabou ficando fora da disputa do título – Tricolor tentava na época um inédito tetracampeonato.

Em 2016, o Atlético Mineiro pediu adiamento de uma partida contra o Palmeiras, porque tinha jogadores convocados para seleções – a rodada era próxima a uma data Fifa – e não queria entrar em campo desfalcado, pois lutava pela liderança. E já tinha feito o mesmo para a partida contra o Corinthians, sem sucesso. Aliás, o Corinthians, em 2015, também recorreu à Justiça Comum para defender a presença da torcida dele em uma partida contra o Palmeiras.

Falando dos dois times paulistas, em 2018 o Verdão fez de tudo para anular a final do Paulistão, vencida pelo Corinthians. Recorreu até ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), sem sucesso. O mesmo Palmeiras, que ano passado buscou um efeito suspensivo para liberar Felipe Mello – condenado a quatro jogos de suspensão por ter agredido Lucca, na partida contra o Bahia – para encarar o Flamengo, no Maracanã.

E vamos ficar aqui lembrando de diversos outros fatos, de todos os lados. Inclusive do Flamengo, que também não é um “santo” nessa história e já buscou seus recursos em várias instâncias.

O que quero dizer disso tudo é que os dirigentes do nosso futebol jogam, e muito mal, “pra galera”. Fizessem o dever de casa direito – pensando no futebol como empresa e profissionalizando a administração – talvez pudéssemos ver jogos de melhor qualidade e nada de discussão fora de campo, nem jogos de cena.

E também, quem sabe, veríamos os salário dos jogadores. Aliás, não existe punição para atraso de salários, inclusive com perda de pontos?

Infelizmente, a memória e o discurso dos dirigentes caminham apenas para o lado que mais lhes interessa.

(Agência Brasil)

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