20 outubro 2020, 2:05
Crédito: Divulgação

Turismo comemora fronteira aberta

Prefeito de Ponta Porã teme novo surto de Covid na cidade

Com a aproximação da reabertura dos comércios na fronteira entre Paraguai e Mato Grosso do Sul, prevista para o dia 29 de setembro, os empresários e donos de hotéis locais estão otimistas a fim de conseguir se reerguer e recuperar a economia com a chegada de turistas. No entanto, o prefeito de Ponta Porã, Helio Peluffo, não se mostra a favor da decisão e adianta “o Paraguai não vai fazer festival de promoção, se eles fizerem vou pedir para todas as autoridades competentes agirem e prenderem toda a mercadoria nas rodovias. Não é hora disso”.

Ainda de acordo com ele, desde a decisão do fechamento até a reabertura, não cogitaram consultar e incluir a Prefeitura de Ponta Porã. “Eles não me incluíram nessa reabertura, só me chamaram de última hora para conversar, então não faço parte disso”, explica.

O Amambay Hotel Casino sofreu duras consequências com o fechamento das fronteiras desde o dia 24 de março, tendo sido afetado com um saldo negativo de mais de R$ 200 mil. Atualmente, tem apenas 10% de ocupação, mas com a movimentação do comércio, o empresário Marsio Esteban Paredes tem a expectativa de que as vagas sejam ocupadas em 50%.

“Sou a favor da reabertura, pois vai ajudar o comércio fronteiriço, mas desde que as empresas respeitem as medidas sanitárias. Vai melhorar gradativamente, mas já oxigena um pouco. A verdade é que fechamos três meses com renda quase zero, depois reabrimos parte do hotel com delivery no restaurante”, conta.

Já o dono do Hotel Divisa, Fernando Estche, ao ser questionado sobre o quanto a empresa perdeu neste período, disse ser em torno de 70%, mas acredita que a reabertura vai melhorar o movimento em seu estabelecimento de 30%. Atualmente o hotel está com 20% de ocupação, mas somente dos paraguaios.

“Com certeza somos a favor da reabertura. Na verdade, estamos trabalhando no vermelho e estamos conscientes que a situação econômica não está boa e a cotação do dólar também não, mas acredito que vai melhorar em 30% com o funcionamento das atividades”, relata.

Para ele, o que vier desse período de reabertura, é lucro. “Eu estou esperando pelo menos não trabalhar mais no vermelho, isso já ajuda”.

O feriado do dia 11 e 12 de outubro (Aniversário de Mato Grosso do Sul e Dia de Nossa Senhora Aparecida), também é outro motivo que tem animado os proprietários desses hotéis locais, esperando a chegada de muitos campo-grandenses. Todos com uma expectativa em comum: movimentar o caixa.

Em contrapartida, o prefeito Helio Peluffo diz que entende a atual situação econômica do Paraguai, mas que toda essa movimentação pode ser prejudicial para Ponta Porã. “Todos os feriados prolongados deste ano, teve surto de Covid em Ponta Porã. Então, nós estamos bem preocupados com o feriado do dia 12. Eu respeito a atual situação deles, mas a Prefeitura vai disponibilizar tenda, banheiro, comida, almoço, o que for preciso para os policiais ficarem nas rodovias e prender toda a mercadoria que for comprada. Não é hora de vocês de Campo Grande vir fazer compra”, dispara o prefeito de Ponta Porã.

Entenda

As fronteiras com o Paraguai foram fechadas desde março, paralisando as atividades comerciais no local, mas com o retorno gradual. Com isso, após protestos realizados por cerca de três mil pessoas entre trabalhadores e empresários, o governo do país vizinho autorizou, na última terça-feira (22), a reabertura total na região da Ponte da Amizade, entre Ciudad Del Este e Foz do Iguaçu (PR), por um período de testes de três semanas. O desbloqueio está previsto para a próxima terça-feira (29).

A princípio, os turistas poderão entrar no Paraguai, das 5h às 14h, com saída permitida até 18h. As pessoas de fora poderão circular entre os departamentos de Canindeyú, em Salto Del Guairá, e Amambay, no qual, a Capital é Pedro Juan Caballero.

Para isso, serão instaladas barreiras sanitárias, além do uso obrigatório de máscaras, aferição de temperatura, disponibilidade de álcool gel, distanciamento social, entre outras medidas.

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(Texto: Izabela Cavalcanti)

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