1 outubro 2020, 15:40
Foto: Arquivo Pessoal

Beleza que vem de dentro e reflete em cada cacho

A cultura da valorização dos cabelos crespos e cacheados revelou a perfeição de quem passou pela transição capilar

Buscando uma forma de se libertarem dos padrões de beleza impostos pela sociedade, muitas mulheres têm encarado a transição capilar como um processo de autoconhecimento e empoderamento. É o fim de um ciclo, mas o início de outro muito melhor: a descoberta da própria identidade.

A repórter e social media Kamila Alcântara, de 25 anos decidiu passar pelo processo de transição capilar no dia 25 de março de 2019. Ela conta que a decisão veio após 10 anos de procedimentos químicos para alisar o cabelo.
“Quando a cabeleireira terminou minha última progressiva, meu cabelo estava com aspecto de macarrão cru, danificado e nenhum pouco natural. Nesses dez anos que usei, nunca aparentou ser química, sempre ficou bem natural, mas acho que tintura ou luzes pode ter mudado os fios”, revela.

De acordo com a jovem, o processo não demorou e em oito meses todos seus cachos já tinha ganhado vida. “O meu processo foi até rápido, pois eu fui do tipo que queria se livrar logo da parte alisada. Decidi em março, dezembro já estava só com meu cabelo natural, mas bem curto. Nesse meio tempo, para não raspar, prendia com tic tac, faixas ou enrolava com babyliss”, relembra.

Aceitação

Assumir o natural do cabelo significou para Kamila autoconhecimento. “É uma batalha diária para desfazer conceitos impostos em todo o seu processo de crescimento como mulher. Desfazer que o artificial não precisa ser considerado bonito. Que o cacheado não é feio ou desarrumado. É um autoconhecimento por ter que se desfazer de conceitos impostos para aceitar novos, que te faça bem. Tem dias que quero alisar? Claro! Mas vendo os cachinhos crescendo e tão definidos é tão diferente, é uma motivação nova”, comenta.

Quem também deu adeus as pranchas alisadoras e aos produtos químicos foi a advogada Keren Sanchini, de 24 anos. O ponta pé inicial para que ela desistisse dos fios lisos foi perceber que seu cabelo não tinha mais saúde. “Meu cabelo não aguentava mais química, estava quebrado e com forma de palha, sendo que eu também já não aguentava mais ter que fazer progressiva de seis em seis meses”, explica.

Segundo ela, seu processo de transição durou um ano e meio. No começo foi difícil lidar com o corte curto, mas o resultado final resultou em amor-próprio. “Esse processo significou pra mim autoconhecimento e aceitação de que cabelo ruim não existe, e sim cabelo mal cuidado. Aceitar que o natural é lindo da forma que foi feito, pois com o tempo você passa a não ligar se está armado ou com a forma do seu cabelo pois até o armado arrumado é bonito. Aprendi que a opinião das pessoas não tem que ser levada em consideração a respeito do que é melhor pra você”, relata.

Para Keren, não existe padrão de beleza, todo cabelo deve ser aceito como lindo da forma que é. “Cabelo cacheado é bonito, é um processo fácil mas que se persistir vale a pena”, conclui.

Cuide bem das madeixas

Por ser um processo longo, que pode durar meses ou até anos, a transição capilar exige cuidados específicos para que as pessoas consigam lidar com as mudanças. Por isso, a cabeleireira Carina Villalba, há 3 anos se dedica a cabelos ondulados, cacheados e crespos.

Conforme a cabeleireira, essa transição requer paciência e determinação. Ter um profissional acompanhando o processo é de extrema importância. “Porque conseguimos orientar melhor a cliente tanto em utilização de produtos corretos e como proceder durando o dia a dia no período de transição. Conseguimos também ajudar com pontos positivos a incentivar a continuidade de passar pelo processo”, elucida.

Segundo ela, a procura por esse serviço está sendo amplo. “Toda semana recebo clientes para orientação de transição capilar ou para fazer o big chop corte na linha de transição retirar todo o processo de alisamento”, comenta.

Antes de iniciar a transição capilar as pessoas precisam estar cientes que o processo pode não ser muito agradável esteticamente. “É preciso estar ciente que não é indicado a utilização de ferramentas para redução ou alinhamento dos fios. Que não contém nenhum produto que retira o processo de alisamento, somente o corte para retirada, e que não há muitas opções de modelagem pois exige duas texturas no cabelo”, explica.

A transição capilar significa empoderamento, autoaceitação e conhecimento. “Conseguimos também trabalhar a parte emocional da mulher aonde resgatamos nossa própria opinião e enxergamos a beleza que estava escondido através de uma textura que achávamos que só ela era vista como beleza. Ampliamos nossos olhares para a beleza natural de cada mulher”, finaliza.

A diferença de cada cabelo na transição capilar

Cabelos ondulados: Tem um crescimento mais rápido e menos trabalhoso, pois a aparência do ondulado só aparece quando já está em um período de crescimento maior.

Cabelos cacheados e crespos: Crescimento mais devagar, porém ambos crescem normalmente. Um centímetro ao mês, a diferença é que os cacheados e crespos por terem a onda mais fechada ‘molinha’ o crescimento parece ser menor. Quando está em transição, sua forma aparece mais rápido próximo ao couro cabeludo.

Dicas de cuidados no processo de transição

  • Hidratação
  • Evite secador, chapinha e babyliss
  • Texturize as pontas alisadas
  • Penteados para disfarçar a diferença entre as texturas
  • Terapia Capilar

(Texto: Bruna Marques e Izabela Cavalcanti)

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