29 setembro 2020, 10:19
Crédito: Divulgação

Campo Grande: parabéns por seus 121 anos de história

Campo Grande é conhecida como “Cidade Morena”, em razão da terra avermelhada da região, “Capital dos Ipês”, “Capital do Pôr do Sol” ou ainda “Capital do Cerrado Meridional”.  Ela ganha destaque também pelo colorido das belas aves, entre elas araras e tuiuiús, e pelas famílias de capivaras, que observamos calmamente desfilando pelo Parque das Nações Indígenas ou por algumas das suas largas e arborizadas vias. 

A cidade congrega pessoas de diversas regiões do mundo, religiões, crenças e culturas. Aqui moram indígenas, espanhóis, italianos, portugueses, japoneses, sírio-libaneses, armênios, paraguaios, bolivianos, alemães e outros, que partilham da rica gastronomia refletida no sobá encontrado na Feira Central e variados estabelecimentos, nos suculentos churrascos e nos muitos pratos a base de peixe, sem nos esquecer do delicioso caldo de piranha, do nhoque de mandioca e a velha e boa chipa. 

A música, com seus vários sons e ritmos, é exaltada pela orquestra sinfônica, dirigida pelo maestro Eduardo Martinelli, pelas vozes abençoadas de figuras marcantes, entre as quais Geraldo e Tetê Espíndola, Almir Sater, Delinha, Tostão e Guarany, e também por pessoas nascidas ou não aqui, que se orgulham de dizer que são de Campo Grande, entre elas Michel Teló, Luan Santana, Maria Cecília e Rodolfo, João Bosco e Vinícius, Munhoz e Mariano. A arte é representada ainda por nomes como Glauce Rocha e Aracy Balabanian. 

Não podemos nos esquecer de que tivemos até um representante na Presidência da República: Jânio Quadros, nascido aqui. 

Tudo isso, claro, devemos ao pioneirismo dos mineiros liderados por José Antônio Pereira que, em 21 de junho de 1872, chegaram ao chamado Mato Cortado, na confluência dos córregos hoje denominados “Prosa” e “Segredo”. Aliás, quando criança, tive o prazer de me banhar nas águas cristalinas desses dois córregos que cortam Campo Grande.  Aos poucos, os mineiros fundaram o Arraial de Santo Antônio de Campo Grande. Em 26 de agosto 1899, o povoado foi elevado a município. As décadas que se seguiram comprovam um desenvolvimento material e humano ordenado e de qualidade, que transformou aquele arraial de outrora na Bela Morena, que comemorou seus 121 anos. 

De acordo com dados do IBGE (2019), a cidade conta com aproximadamente 895 mil habitantes, escolarização de 98% (2010) da população e Índice de Desenvolvimento Humano alto (0,784), conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 

Eleita a sétima melhor capital para se viver no país, Campo Grande figura em nono lugar em educação e cultura, sexto em saúde e oitavo em saneamento e sustentabilidade (Consultoria Macroplan, 2017). Também é considerada a sétima capital mais feliz do Brasil, de acordo com ranking da Revista Bula (2019), que considerou três indicadores: segurança, estabilidade financeira e qualidade de vida, a segunda capital menos violenta (Atlas da Violência, 2019) e o sétimo município brasileiro com maior índice populacional indígena residindo em área urbana (IBGE, 2010). 

A festa de aniversário este vai ser diferente. Passamos por um momento delicado, em que muitas das vozes que ecoaram nas comemorações anteriores hoje estão silenciosas. As velas que sopramos, ano após ano, representam pessoas que permanecem e também as que se foram, mas que construíram este lugar abençoado que chamamos de lar, no qual podemos amar uns aos outros e construir nossa felicidade, por isso merecem para sempre ser lembradas com respeito e admiração. 

Encerro essa singela reflexão sobre Campo Grande com um maravilhoso trecho do nosso belo Hino: “Nosso afeto a ela sagremos e felizes assim hemos ser”. 

Pedro Chaves

Economista, educador, empresário e secretário de Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

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