1 outubro 2020, 14:07
Crédito: Arquivo Pessoal

Animais exóticos: Serpentes como bicho de estimação

Elas não são pets comuns e precisam de alguns cuidados para serem criadas em casa

Você é daqueles que acha que bicho de estimação são apenas cães e gatos? Na reportagem de hoje você vai conhecer uma jovem que fugiu do convencional e escolheu dividir a casa com uma companheira inusitada.

Estamos falando da Chloe, uma serpente quem tem como nome científico Epicrates Cenchria Assisi, mas é conhecida popularmente como Arco-íris da Caatinga. Ela tem um 1 ano e 9 meses e ganhou o coração da esteticista, Fernanda Marisco, de 23 anos, há 3 meses. O desejo em ter como pet uma serpente, acompanha a jovem desde criança e foi graças ao criatório Jiboias Brasil, localizado no município de Betim, em Minas Gerais, que o sonho dela se tornou realidade.

“Esse hobby está crescendo cada vez mais no Brasil, o criatório Jiboias Brasil me proporcionou ter uma serpente de forma legal e autorizada pelo IBAMA. Ela é legalizada e contém um microchip de identificação, licença de transporte e certificado de origem do animal”, revela Fernanda.

Nem todas as cobras são venenosas, mesmo que pareçam perigosas, se manejadas corretamente, algumas delas podem se tornar companheiras inseparáveis de seus donos. Fernanda explica que o interesse e curiosidade pelo animal nunca trouxe medo para sua vida.

“Eu li e busquei informação e nunca tive medo. As pessoas têm medo das serpentes porque são animais ditos como do male cruel. Eu não concordo com isso, acho que são animais a serem respeitados e amados como quaisquer outros. Então comecei a pesquisar e me informar com pessoas que já possuíam serpentes como pet para descobrir como era esse hobby”, expõe.

Chloe representa para Fernanda respeito e admiração. A convivência com o animal é simboliza carinho e cumplicidade. “Ela é um animal superdócil, só que não demonstra carinho e eu sempre digo que cada animal demonstra de uma maneira diferente empatia pelo dono, só que o mais importante é o ser humano ter empatia pelos animais. Além disso, temos que desmistificar lendas que levam as pessoas a matarem as serpentes”, afirma.

Os cuidados que as serpentes precisam

Para sanar algumas dúvidas de quem deseja ter como pet uma serpente, conversamos com o Médico Veterinário de Animais Exóticos, Marcelo Lima. De acordo com ele, elas são animais ectotérmicos, ou seja, não produzem calor sozinhas, por isso o principal cuidado que o tutor precisa ter é com a temperatura do recinto onde o bicho vai viver.

“Outro ponto importante é em relação à umidade do recinto, as serpentes legalmente comercializadas hoje no Brasil são as espécies de Jiboias, mas cada uma delas vem de um bioma diferente de nosso país, sendo assim, cada espécie precisa de uma umidade e temperatura diferente. O espaço onde seu animal vai viver é o ponto mais delicado da criação de uma serpente, além de umidade e temperatura, é fundamental que o recinto não ofereça risco de lesões, como lugares onde o animal possa se ferir ou ‘entalar’ quando estiver se locomovendo”, esclarece.

Serpentes não precisam de cuidados especiais, como alguns outros répteis ou outros pets. Esses animais se desenvolveram ao longo dos séculos para sobreviver em qualquer circunstância. Sendo assim, eles precisam apenas do básico que é comida, água, fonte de calor e abrigo.

“A alimentação destes animais é composta por roedores e aves. Existindo duas modalidades de alimentação, uma onde a presa é ofertada abatida, evitando o estímulo de caça do seu pet. Outra forma é a disponibilidade da presa ainda viva, mas desnorteada, estimulando assim o insistindo de predador da sua serpente. As duas formas de alimentação possuem pontos positivos e negativos, cabendo ao tutor junto ao Médico Veterinário capacitado, escolher a melhor forma de alimentação”, aponta.

Segundo Marcelo, répteis além de serem exímios predadores, também são presas e por essa razão demoram a apresentar sinais e sintomas de doenças. Sendo assim, é difícil para o tutor identificar com antecedência que seu animal está com algum problema.

“Eu indico que meus pacientes passem por consulta, pelo menos duas vezes ao ano. A fim de fazermos uma avaliação completa, obtendo um acompanhamento mais preciso da saúde do animal durante toda sua vida. Ressaltando também que ao menor sinal de anormalidade no comportamento do animal, o Médico Veterinário deve ser consultado”, aconselha.

Marcelo explica que esses animais não ficam doentes facilmente e esse é um ponto positivo para quem quer adquirir uma serpente. As principais doenças são provenientes do manejo alimentar inadequado e alguns acidentes no próprio recinto. Os acidentes mais vistos são queimaduras devido ao erro no controle da temperatura ou até mesmo ao contato do animal com o ponto de luz e calor.

“Uma doença muito comum nas serpentes são as pneumonias, que ocorrem por erro de temperatura e umidade do recinto. Vale lembrar que se o animal apresentar sinais de qualquer doença, ele deve ser levado a um Médico Veterinário capacitado para atendimento o mais rápido possível”, clarifica.

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