9 agosto 2020, 7:12
Crédito: Reprodução da internet

Autismo e isolamento social em tempos de pandemia

Na tentativa de diminuir as perdas do filho, Jéssica precisou se reinventar

Manter uma rotina equilibrada, tem sido um desafio para as famílias e crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Quem conhece, sabe o quanto é importante cada degrau que eles sobem dia após dia, e o quanto isso foi afetado com a chegada da pandemia e o isolamento social.

Para a Dra. Maria Eulina Quilião, neurologista infantil, a perda das atividades de estimulação como as terapias com psicólogos, fono, terapia ocupacional, escola com professor de apoio, entre tantas outras vertentes adequadas para o ganho dessas crianças, trouxe a estabilidade na evolução e até mesmo a regressão em alguns casos.

“Muitos desses pacientes deixaram de evoluir, mas o ideal para o momento é preservar a vida. Isso é muito difícil para a família, que não está totalmente preparada para dar andamento nas etapas que vinham sendo desenvolvidas, e acabam ficando exaustas na tentativa de proporcionar o cuidado necessário” pontua.

Há quatro meses, a vida da enfermeira Jéssica Ferreira de 24 anos, mudou totalmente, e desde então, seus dias têm sido de muita dedicação e amor, para poder cumprir e equilibrar, junto à mãe e ao esposo, todas atividades que o filho Pedro de 7 anos, precisa concluir mesmo com o distanciamento social.

“O Pedro, era uma criança que tinha a rotina regrada, toda criança autista precisa de uma rotina para conseguir se desenvolver bem e exercer suas funções. Ele ia para a escola, chegava, almoçava e ia para a terapia, tinha horário para diversão e atividades. Com tudo isso, ele tem ficado imperativo, estressado, e descompensado, porque antes, ele tinha o convívio com os coleguinhas, com a professora, e ele conseguia gastar toda a energia dele. As crianças com autismo estão sofrendo muito, eles não tem esse entendimento do que estamos passando” conta Jéssica.

Reinvenção

Na tentativa de diminuir as perdas do filho, Jéssica precisou se reinventar, e foi atrás de uma psicopedagoga, onde Pedro vai 3 vezes por semana, tratamento que antes era realizado por meio da Associação de Pais e Amigos do Autista (AMA), e que está de portas fechadas em razão ao coronavírus.

Essa, foi uma das primeiras alternativas que a família enxergou para cuidar do pequeno, que além do (TEA), também enfrenta uma luta diária contra o Transtorno de Oposição Desafiador (TOD), que afeta diretamente o seu humor.

Além do tratamento semanal, Jéssica se apoia no amor das pessoas próximas, para passar pelos dias nada fáceis de isolamento, e cuidar da saúde psíquica e emocional de pedro, através de brincadeiras e interação com pessoas que fazem parte da nova rotina dele.

Crédito: Reprodução da internet

(Texto: Karine Alencar)

 

 

 

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