13 julho 2020, 12:31
Crédito: Filipe Gonçalves

Entrevista da Semana é com o ex-vereador Marcelo Bluma

“Há uma carência grande na política atual com relação a pensar futuro”, diz pré-candidato do PV à prefeito

Engenheiro, advogado e vereador por três mandatos, Marcelo Bluma acredita ter cumprido sua missão no Legislativo municipal. Pré-candidato à prefeitura, Bluma vê Campo Grande como uma cidade que se perdeu no planejamento urbano, seja na infraestrutura, na saúde e no sistema de transporte coletivo. Para ele, esses setores não receberam melhorias nos últimos tempos e, junto ao seu partido, enfatiza em “Pensar globalmente e agir localmente”. Na sua visão a política habitacional do município é bem deficiente e a falta de planejamento acaba produzindo resultados ruins no trânsito, que compromete também os aspectos da segurança. O ex-vereador tem a ideia de que a cidade precisa de manutenção preventiva e permanente em espaços públicos, independente da sua distância do centro da Capital. Bluma observa que o isolamento social é a unica alternativa, e é preciso encontrar um ponto de equilíbrio e trabalhar testes para não comprometer a economia da cidade e do Estado. Como précandidato, analisa que Campo Grande aumentou o endividamento público por conta de uma máquina de administração inchada, e para solucionar o problema é preciso uma reforma administrativa a fim de que os recursos e investimentos sejam otimizados. Confira a entrevista, também com trechos no canal de Youtube do Jornal com o programa TAKE1:

Estado: O senhor vai para a terceira candidatura majoritária seguida. O que mais o encoraja a disputar a cadeira no Executivo, sendo que teria mais chances de ser eleito vereador?

Bluma: Eu fui vereador em Campo Grande por três mandatos. Foi uma honra muito grande representar uma parcela da população no Legislativo municipal. Penso que cumpri minha missão. Vejo que disputar a cadeira no Executivo, à Prefeitura de Campo Grande, será como um grande desafio na minha formação como engenheiro, com formação em planejamento urbano, e também por conta do programa que o PV defende. Nós do Partido Verde defendemos a máxima: “Pensar globalmente e agir localmente”. Por conta dessas possibilidades e deste currículo é que me animo ainda mais a ser candidato a prefeito de Campo Grande.

O Estado: Sua atuação na Câmara foi pautada pelo comprometimento de um desenvolvimento sustentável para Campo Grande – um exemplo: a elaboração do Plano Diretor daquela época. Como tem visto o trabalho dos políticos atuais visando ao futuro?

Bluma: Essa também é uma motivação para minha candidatura a prefeito de Campo Grande. A Capital perdeu imensamente na questão do planejamento e do planejamento urbano também. Nós chegamos praticamente a não ter mais favelas e invasões na cidade, mas hoje cresceram exponencialmente. Nós não temos um sistema de saúde, uma rede de saúde de atenção básica eficiente coordenada com as Unidades Básicas e as Unidades de Pronto Atendimento. Não temos um hospital municipal que possa ser a ponta final do sistema. Nosso sistema de transporte coletivo, a última inovação que ele recebeu foi na administração do senhor Lúdio Coelho, há muitos anos, quando foram implantados os terminais. De lá pra cá, não houve melhorias no sistema, de forma que a população pudesse ter qualidade no sistema de transporte coletivo. Nos sistemas que são auxiliares ou complementares, como é o caso dos aplicativos e mototáxi, vimos que não recebem o devido suporte da administração municipal. No caso das ciclofaixas, percebemos que em Campo Grande são muito mais utilizadas como modismo nas avenidas centrais do que efetivamente nos bairros da cidade onde se concentra a maior parte dos ciclistas. A política habitacional do município é deficiente. A falta de planejamento acaba produzindo resultados ruins no trânsito, com esse trânsito caótico que Campo Grande já tem e que compromete também os aspectos da segurança. Então, vejo que há uma carência muito grande na política atual com relação a pensar o futuro e organizar a cidade; é necessário pensar uma Campo Grande efetivamente planejada.

O Estado: Um dos investimentos feitos na gestão é a revitalização da Rua 14 Julho. Como o senhor avalia a importância do Reviva para a cidade?

Bluma: Eu penso que a ideia de melhorar o centro da cidade é positiva e necessária. Mas o projeto do Reviva é antigo, foi simplesmente trazido para esse momento e acabou sendo um planejamento deficiente. Uma obra na principal rua de uma cidade do tamanho de Campo Grande exige um planejamento fino na sua execução, o que não houve e causou um prejuízo muito grande para muitas empresas, o que não levou a um acréscimo de pessoas para a 14 de Julho. Em 4contrapartida, nós temos uma série de ruas comerciais na cidade que não recebem absolutamente a menor atenção do Executivo. Então, eu vejo que cuidar do centro da cidade é importante, mas o projeto que foi executado poderia ter sido feito com um valor menor e com mais eficiência para o centro da cidade.

O Estado: Campo Grande tem parques como ponto turístico que ajudam na qualidade de vida e no reconhecimento da cidade; o que fazer de diferente na manutenção de espaços públicos, visto que o Parque das Nações passa por assoreamento?

Bluma: Precisa ter um trabalho de manutenção preventiva e permanente, coisa que também não acontece na cidade. No centro da cidade nós temos o Parque das Nações Indígenas, a Praça Itanhangá, que estão minimamente cuidados. Porém, quando a gente sai da área nobre e central, nós presenciamos o abandono. Meu projeto é ter uma ação permanente em todas as praças e áreas verdes de Campo Grande. Dessa forma nós podemos oferecer mais qualidade de vida às pessoas.

O Estado: Qual o seu posicionamento quanto ao isolamento social?

Bluma: Eu sou favorável ao isolamento social como uma das ferramentas junto com uma testagem em massa. Vejo que só o isolamento, como uma única alternativa, a exemplo de mandar as pessoas apenas ficarem em casa, na verdade produz um desastre econômico muito grande. É preciso trabalhar o isolamento social com a testagem em massa para que a gente não comprometa a economia da cidade e do Estado, que também são importantes. As vidas são mais importantes, porém é possível encontrar o ponto de equilíbrio justamente com a política de testagem em massa, coisa que não acontece infelizmente na nossa cidade.

O Estado: O senhor sempre se destacou nos debates de TV, e em 2018 acabou estigmatizado por proteger o vice-líder nas pesquisas. Você acha que este novo momento da política, em que tudo vira meme e polarizado, acabou influenciando para avaliar superficialmente o desempenho?

Bluma: Eu não vejo dessa forma. Não percebo nas pessoas com quem eu convivo essa ideia. Na verdade é natural que num debate eleitoral, na campanha eleitoral, o candidato da oposição com meu perfil faça críticas ao governo. Se isso favoreceu ou não o vice-líder aí é uma circunstância, mas na disputa, a crítica e a minha participação no debate sempre foram no sentido de me qualificar para ir para o segundo turno, fazendo um confronto com o candidato que disputava a reeleição.

O Estado: Campo Grande tem o maior endividamento público, e tem realizado obras em parceria com o Estado e o governo federal; sendo engenheiro, como é possível mudar essa realidade?

Bluma: Campo Grande de fato tem um endividamento alto. Isso é fruto de uma máquina administrativa inchada. É preciso fazer a reforma administrativa, diminuir o custo operacional da prefeitura a fim de que sobremmais recursos para investimentos. A forma de enfrentar o problema do endividamento é otimizar as ações da prefeitura municipal para que se consiga trabalhar gastando menos.

O Estado: O PV, se não eleger vereadores, corre o risco de sumir?

Bluma: Todos os partidos que não elegerem parlamentares correm o risco não de sumir, mas de não alcançar a cláusula de barreira, e a partir daí ter uma série de dificuldades para o exercício da vida partidária. A cláusula de barreira não extingue o partido, mas, na medida em que tira o tempo de televisão e o fundo partidário, impõe dificuldades muito grandes para esses partidos que não atingirem certos parâmetros. Nós superamos bem a cláusula em 2018, e outros partidos até com tamanho aparentemente maior não superaram, mas nós superamos. Com certeza faremos de dois a três vereadores nessa eleição em Campo Grande, porque temos uma chapa completa, com 43 pré-candidatos qualificados. Não temos dúvidas de que receberão uma votação expressiva e nós passaremos a ter vozes no Legislativo municipal, que é um dos objetivos da nossa disputa nessa eleição.

O Estado: O PV, se não eleger vereadores, corre o risco de sumir?

Bluma: Todos os partidos que não elegerem parlamentares correm o risco não de sumir, mas de não alcançar a cláusula de barreira, e a partir daí ter uma série de dificuldades para o exercício da vida partidária. A cláusula de barreira não extingue o partido, mas, na medida em que tira o tempo de televisão e o fundo partidário, impõe dificuldades muito grandes para esses partidos que não atingirem certos parâmetros. Nós superamos bem a cláusula em 2018, e outros partidos até com tamanho aparentemente maior não superaram, mas nós superamos. Com certeza faremos de dois a três vereadores nessa eleição em Campo Grande, porque temos uma chapa completa, com 43 pré-candidatos qualificados. Não temos dúvidas de que receberão uma votação expressiva e nós passaremos a ter vozes no Legislativo municipal, que é um dos objetivos da nossa disputa nessa eleição.

Confira também no Estado Online:

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(Texto: Bruno Arce e João Fernandes)

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