28 setembro 2020, 22:10
Crédito: Patrícia Franco

Alimentação: Perda do marido leva massagista a mudar vidas

Depois que o marido se foi, ex- massagista ficou totalmente sem rumo, e além do luto, teve que se reencontrar e se adaptar a uma nova realidade

A luta contra o câncer ao lado do esposo, fez com que Patrícia Franco 33, se reinventasse na cozinha da noite para o dia. Acostumada a fazer uma boa comida tradicional, a ex-massagista teve que desaprender tudo o que sabia, para que Michel Sella não precisasse se alimentar por sonda, e entrou de cabeça na alimentação orgânica, que transformou sua vida.

Apaixonados por pratos típicos, Patrícia e Michel viajavam por várias regiões do país e do mundo para provar comidas, vinhos e doces diferentes, até que Michel começou a sentir muitas dores e indisposição, que o impedia de se alimentar.

Ao procurar atendimento médico, o homem de apenas 35 anos, foi diagnosticado com um câncer raríssimo no estomago, e a única solução para que ele conseguisse comer, seria através de sonda.

Choque de uma nova realidade

Sem ao menos um norte, Patrícia procurou todos os métodos possíveis a fim de encontrar uma maneira para que Sella não parasse de se alimentar por via oral, então foi até uma nutricionista especializada em oncologia, que a orientou a apostar na alimentação orgânica.

“O esôfago dele estava bastante inchado, e do jeito como a gente comia, não dava mais para se alimentar. Recorri a nutricionista, e ela me disse que eu precisaria trocar toda a alimentação, já que ele não podia ingerir nenhum tipo de agrotóxico” explica.

“Além do cuidado a mais na hora de escolher frutas, verduras e legumes, eu descobri que precisava abandonar as vasilhas de plástico e alumínio, e passei a usar tudo de porcelana, vidro e aço cirúrgico, de maneira que ele não ingerisse nenhum resíduo de toxinas, porque como era tudo muito grave, qualquer coisa poderia evoluir muito rápido e gerar complicações no quadro dele” conta.

Para a nutricionista Luíza Camargo, professora do curso de Nutrição da Uniderp, os alimentos produzidos organicamente têm menos probabilidade de conter os resíduos de pesticidas do que os produzidos de forma convencional.

No entanto, comer uma variedade de frutas e legumes todos os dias pode também reduzir os riscos de câncer. “O consumo de frutas, verduras e legumes, independente se é de cultura convencional ou orgânica, contribui para evitar diversos tipos de doença, o mais importante, que as vezes acabamos esquecendo, é a higienização dos alimentos” pontua.

Luta contra o câncer à transformação de rotina

Entre idas e vindas do Hospital, Patrícia começou a se dividir entre cuidar do marido, e se dedicar na cozinha, estudando as propriedades de cada alimento que colocava na panela. “A nutricionista me orientou a pesquisar sobre os alimentos, e eu entrei a fundo para saber como eu conseguiria aumentar a imunidade dele e fazer com que ele tivesse ganhos durante o tratamento. Porque o Michel não conseguia comer nada, cada alimentação que ele tentava fazer, colocava tudo para fora isso doía em mim” relembra.

Mesmo sabendo que o quadro clínico do marido era extremamente grave, Patrícia decidiu lutar com todas a forças para vencer o câncer.

“Eu e o Michel acreditávamos que era possível vencer a doença. Eu percebi a importância da alimentação, e enxerguei que ela pode nos nutrir, nos curar ou nos levar mais rápido. A saúde dele melhorou muito e a cada dia que passava, os médicos ficavam mais surpresos com os resultados que ele ganhava, isso nos motivava e nos dava muita força para continuar”.

Após cinco meses de tratamento, Michel não resistiu à luta contra o câncer e acabou falecendo. Emocionada e com muita gratidão, patrícia fala como foram os últimos dias do amor de sua vida. “Durante todo o período de tratamento, ele conseguiu comer sem usar sonda, e eu fico muito feliz em saber que fiz de tudo para que isso fosse possível, pra mim foi uma conquista. Eu tentei salvá-lo através da alimentação”.

Propósito de vida

Depois que Sella se foi, a ex- massagista ficou totalmente sem rumo, e além do luto, teve que se reencontrar e se adaptar novamente a uma outra realidade. “Nada do que eu fazia antes tinha sentido, e a única coisa que me trazia felicidade era ir para a cozinha, onde eu ficava mais próxima dele. Então eu passei a levar comida para minha família, para os amigos, e passei a influenciar as pessoas com a alimentação”.

Além de falar sobre a importância da boa alimentação, Patrícia também usava a internet como ferramenta a seu favor. “Nesse processo, muitos colegas começaram a me fazer perguntas nas redes sociais sobre o assunto, e isso realmente me ajudou a enfrentar a perda e me encontrar novamente. Eu consegui transformar a dor e o sofrimento em algo bom”.

“Isso tudo se tornou um propósito de vida pra mim. Agora, eu ajudo as pessoas a terem consciência sobre alimentação, a gente não tem ideia de como o que comemos merece cuidado. Hoje em dia eu não desperdiço nada, não jogo nada no lixo, tudo é reutilizado, como por exemplo, a casca da banana, onde é possível criar uma carne”.

“Faço todos esses alimentos com orgânicos e comecei a produzir para venda, o que tem se tornado uma fonte de renda, o inicio do meu empreendedorismo. Se eu puder levar qualidade de vida para uma pessoa, puder ajudar uma pessoa, isso já me deixa muito feliz, porque eu não quero que ninguém passe pelo que eu passei” conclui.

(Texto: Karine Alencar)

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