28 setembro 2020, 22:11
Crédito: Valentin Manieri

A importância do brincar na vida das crianças

Meninos e meninas precisam dominar o chão nas amarelinhas, entender a natureza no voar das pipas e interagir com os outros nas brincadeiras de roda

Ciranda, bambolê, bolha de sabão. Carrinho no chão, pipa voando alto, correr na grama até ficar cansada. Pular corda, amarelinha, cantiga de roda, esconde-esconde, pega-pega. Você consegue imaginar uma criança sem brinquedos, ou brincadeiras? O ato de brincar é a primeira atividade lúdica acessível ao ser humano e uma das primeiras possibilidades de conhecer o mundo ao seu redor.

Como seria não subir no muro, na árvore, não ter amigos de infância e nem lembrar das brincadeiras dos seus pais? De acordo com a pedagoga, doutora em Educação e pós-doutora em Sociologia da Infância Ordália Alves de Almeida, brincar é a alma das crianças.

“A nossa defesa parte do princípio de que brincar é um direito da criança, todas elas têm o direito de brincar. É importante dizer que o brincar é a principal atividade da infância e que lhe possibilita apropriar-se da experiência humana e que permite o desenvolvimento social, afetivo e cognitivo”, afirma a especialista.

Meninos e meninas precisam dominar o chão nas amarelinhas, entender a natureza no voar das pipas, no flutuar das bolhas de sabão e interagir com os outros nas brincadeiras de roda, por exemplo. A atividade em conjunto também produz entusiasmos. A criança fica alegre, desafia seus limites e vence obstáculos.

“Ao brincar, as crianças estabelecem uma relação lúdica com o mundo e com os objetos e, por meio do brincar, elas constroem normas, regras e têm a oportunidade de desenvolver. Por meio do brincar, as crianças estão criando outras possibilidades para sua própria vida, elas estão tendo a oportunidade de interagir com seus pais, com os adultos, de abrir mão de determinados brinquedos permitindo que outras pessoas participem de suas vidas”, garante Ordália.

A atividade de brincar tem um papel fundamental no desenvolvimento humano. É preciso que os adultos compreendam que as crianças não brincam instintivamente, a prática é memorizada pela criança no meio cultural em que ela vive.

“Todos os adultos que vivem e convivem com as crianças precisam entender que o brincar é uma atividade essencialmente humana, e que por meio do brincar, as crianças adquirem conhecimentos. Devemos ter esse entendimento, de que o brincar é uma atividade peculiar a infância e que as crianças precisam ter essa oportunidade de viver a infância como ela efetivamente tem que ser”, pontua.

Por meio do brincar a criança desenvolve suas habilidades, a curiosidade e a autoconfiança. “Se reconhecemos o valor social da infância e que as crianças são detentoras de direitos, vamos garantir que elas vivem plenamente a infância”, revela.

Do que brincar com as crianças na pandemia?

Brincar é tão essencial para o desenvolvimento de uma criança quanto a alimentação e o carinho. Elas precisam brincar mais e de forma espontânea. É importante que as famílias resgatem as brincadeiras consideradas tradicionais, aquelas da infância de seus pais, como, por exemplo, pular corda, peteca, ioiô.

“Cabe às famílias, neste período de pandemia, oportunizar às crianças brincadeiras que possibilitem a autoexpressão, com o uso de músicas e atividades livres. O uso de brinquedos não estruturados é fundamental para promover o desenvolvimento da criatividade, a imaginação. Quanto mais simples os materiais, maiores oportunidades terão as crianças de criar, inventar, construir e reconstruir”, recomenda a pedagoga.

Segundo Ordália, brincar deixa a criança mais feliz e com isso mais propensa a ser bondosa, amar o próximo e a ser solidária. “O brincar leva a criança a desenvolver a capacidade de concentração, atenção, participação e engajamento em atividades. É importante reiterar, que ao brincar, a criança desenvolve e assimila regras, de participação, de troca, de respeito ao outro. Crianças que brincam e são felizes têm a oportunidade de se tornar adultos mais felizes. Mas não podemos esquecer de que o tempo da infância é o presente”, conclui.

(Texto: Bruna Marques)

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