5 junho 2020, 12:42
Crédito: Divulgação/Pedro Chaves

ARTIGO: Plínio Mendes dos Santos e a educação

** Pedro Chaves

Nos dois últimos anos, entre outras atividades, tenho encontrado tempo para refletir sobre a história da educação em Mato Grosso do Sul. Já estou caminhando para completar seis décadas de trabalho com educação formal e sou muito orgulhoso de ter feito parte de um time de professores que ajudou a modernizar a educação de Campo Grande e do estado.
Na medida do possível, estou escrevendo sobre o papel da educação e dos educadores que conheci no antigo Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. Convivi com a expressiva maioria deles e guardo com muito carinho ensinamentos e boas lembranças.
Já caminhei um pouco nessa perspectiva. Sou requisitado constantemente por pesquisadores e acadêmicos para falar sobre a história da educação em nosso estado. Logo mais teremos novos livros e publicações científicas sobre esse tema. Ademais, eu e Terezinha Samways, minha irmã, acabamos de escrever um livro sobre os 50 anos da Escola Mace de Campo Grande. Em breve, anunciaremos o seu lançamento.
Essa instituição abriu caminhos para que uma nova educação se materializasse aqui nas barrancas do Pantanal. Sem dúvida, foi o mais ousado projeto educacional que surgiu em Mato Grosso do Sul, cuja liderança coube aos irmãos da matemática, como eram conhecidos os professores Plínio Mendes dos Santos, Terezinha Samways e o autor deste modesto artigo.
Em função de ter falecido muito jovem, aos 46 anos, o competente professor de matemática e exímio administrador educacional, Plínio Mendes dos Santos, talvez não seja conhecido pelas novas gerações de alunos e professores. Na perspectiva de resgatar o trabalho dos educadores falarei, nesta oportunidade, um pouco sobre meu irmão, Plínio Mendes Santos.
Plínio nasceu em Campo Grande, em 19 de outubro de 1928. Era filho de Pedro Chaves dos Santos e Joana Mendes dos Santos. Estudou no Colégio Dom Bosco, com muita dificuldade, porque seus pais tinham dificuldades financeiras, tanto que sua mãe prestava serviço a essa escola para pagar a mensalidade do filho.
Como era um bom estudante e privilegiado intelectualmente, foi aprovado em 1947 para fazer parte dos quadros da Força Aérea Brasileira, na condição de sargento, tendo servido no Parque dos Afonsos, em Marechal Hermes, Rio de Janeiro. Em 1956, voltou para Campo Grande, onde consolidou uma brilhante carreira como aeronauta e educador.
O jovem Plínio começou a ser conhecido como professor de matemática ainda no início da década de 1940. Ele acordava as quatro horas da manhã para preparar aula e começar a atender seus alunos. Quando voltou para Campo Grande, retomou a docência, já mais amadurecido. Trouxe uma metodologia de trabalho avançada, tanto que, em pouco tempo na cidade, já foi requisitado para trabalhar em todas as escolas.
Eu me lembro de que ele trabalhou na Escola Maria Constança de Barros, Colégio Dom Bosco, Escola Batista, Externato São José e Colégio Oswaldo Cruz. Quando não podia atender às demandas das escolas, nossa irmã, Terezinha, assumia as aulas, sem problema nenhum. Foi ele quem abriu o caminho da docência para os irmãos.
A mais importante obra que Plínio liderou foi a Mace. Ali ele mostrou toda a sua capacidade gerencial e de docente. Poucos meses depois da inauguração do prédio redondo, da Mace, em julho de 1974, ele faleceu. Eu e Terezinha levamos adiante o seu sonho de construir, em Campo Grande, um projeto educacional pedagogicamente moderno.
Plínio deixou dois filhos, Pedro Sebastião e Luiz Roberto. Deixou também muita saudade aos familiares e a todos que defendem educação de qualidade, que prepare o aluno para o trabalho profissional e para a vida concreta.

**Economista, educador, empresário e secretário de Estado do Governo de Mato Grosso do Sul.

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