Brasil tem fuga de US$ 7 bilhões e ONU prevê crise

A ONU alerta que o coronavírus trará um “impacto econômico sem precedentes” para os países emergentes e que esse bloco necessitará de US$ 2,5 trilhões. Um dos países afetados será o Brasil, tanto por conta da queda do preço de commodities, fuga de capital, queda de comércio exterior e problemas de financiamento.

Os dados fazem parte de um informe publicado nesta segunda-feira (30) pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad). O Brasil foi uma das economias com a maior fuga de capital.

Entre 21 de fevereiro e 20 de março, os investidores não-residentes no país retiraram da economia mais de US$ 7 bilhões. Ou seja, o Brasil foi responsável por mais de 10% de toda a fuga de capitais nos emergentes.

Um dos pontos destacados pelo informe é a fuga em massa de capital das economias emergentes. Temendo instabilidade, investidores retiraram seus ativos de locais de risco e aplicaram em locais mais seguros.

Apenas entre fevereiro e março, US$ 59 bilhões deixaram esses mercados emergentes. “Isto é mais do dobro das saídas experimentadas pelos mesmos países na sequência imediata da crise financeira global de 2008”, disse. Naquele momento, a fuga foi de US$ 26,7 bilhões.

Para Richard Kozul-Wright, diretor de globalização e estratégias de desenvolvimento da UNCTAD, o Brasil deve se preparar para um “coquetel extremamente perigoso”, composto por uma crise na saúde e uma crise na economia. “Isso deve causar um estresse enorme em uma economia que já vinha fraca”, apontou.

Commodities 

Outro impacto que será duramente sentido no Brasil se refere aos preços das commodities. Muitos emergentes dependem fortemente desses recursos para suas divisas. De uma forma geral, a queda global dos preços foi de 37% este ano. No setor de metais, a contração seria de 18%, contra 6,8% na agricultura.

Algodão terá retração de 22%, contra 15% no açúcar e 7% na soja. A ONU também estima que as exportações dos países emergentes devem sofrer, mesmo com o pacote de resgate da economia chinesa.

A realidade é que, para a cúpula da ONU, a situação econômica vai sofrer uma forte deterioração. “As consequências econômicas do choque são contínuas e cada vez mais difíceis de prever, mas há indicações claras de que as coisas vão piorar muito para as economias em desenvolvimento antes de melhorarem”, disse o secretária-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi.

(Texto: João Fernandes com UOL)

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