5 abril 2020, 17:51
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Inadimplência na conta de água só é ‘permitida’ a carentes

Diferente do que propaga as fake news, quarentena não exime usuários de dívidas

Veio a quarentena e a exigência de autoridades do Poder Público para que as pessoas se isolem, como forma de evitar a proliferação do covid-19. E junto disso, o decreto que a Prefeitura de Campo Grande publicou, no qual proibiu cortes em domicílios no fornecimento do serviço de água e tratamento de esgoto por 60 dias. Além da possibilidade de parcelamento de dívidas com a concessionária, nesse período, em até 36 vezes. No entanto, diferente do muita gente pensa, e propaga, não existe abono das contas nessa fase.

“Pague suas contas se você pode”, explica o economista Paulo Fernandes Baia, professor de economia do Centro Universitário da FEI (Fundação Inaciana Padre Sabóia de Medeiros), de São Paulo. Ele inclusive alerta para o risco do “não pagamento generalizado”, a partir do knockdown nas cadeias produtivas, gerado pela paralisação de atividades determinada na pandemia do novo coronavírus.

“Assim, todos iríamos para o buraco. Nessa situação, a ética não tem só uma importância moral, mas também uma importância de sobrevivência para todo mundo”, disse ao portal R7, quando foi consultado sobre o cenário. De acordo com o professor universitário é fundamental lembrar que após esse recolhimento obrigatório existirá um amanhã, no qual as contas terão que ser pagas, daí a importância de racionalmente não deixá-las acumular, sendo possível evitar o calote.

Boleto em dia não é uma regra no país, e pode piorar

Apenas um em cada dez brasileiros tem condições de pagar as despesas de início de ano sem comprometer sua renda. É o que apontou um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

O estudo levou em consideração despesas com IPTU, IPVA e material escolar e descobriu que só 11% dos consumidores têm rendimento suficiente para quitar os pagamentos.

Além disso, 22% dos entrevistados afirmam que não realizaram qualquer planejamento para pagar as contas no início de 2020.

O levantamento descobriu ainda que a maior parte dos brasileiros, 26% dos entrevistados, precisou economizar dinheiro nas festas e compras de fim de ano para fechar as contas neste janeiro.

Segundo o SPC Brasil, em média, essas pessoas só vão terminar de pagar as prestações de dívidas adquiridas em dezembro do ano passado em abril. Estimativa que foi traçada antes da pandemia do novo coronavírus. (Com informações do portal O Tempo)

Planejamento e adimplência também conta nessa hora

Em todo Brasil, as medidas não foram homogêneas, quanto a maior flexibilidade do pagamento de contas durante a quarentena, com prorrogação, parcelamentos ou o bloqueio aos cortes de inadimplentes. O que só ajudou na desinformação perante o assunto. Em estados mais afetados pela doença, como Rio de Janeiro e São Paulo, governos propuseram cedo, esse relaxamento para as contas de água, energia e gás.

Após eles, em milhares de prefeituras adotaram pelo menos um protocolo alternativo para as contas de água, enquanto a conta de energia ainda segue com o futuro debatido em âmbito de competência federal. Certo é que administrar bem o dinheiro, em tempos difíceis como o início desse ano se apresenta, exige racionalidade, responsabilidade e noção de que, dentro de algum período as coisas devem retornar a normalidade.

Breve ou não, esse entretempo, ao seu término, na retomada da economia, quem tiver gerido melhor a quarentena levará vantagem. E isso vale para o cidadão comum, o empresário ou para o Poder Público. Mais do que aquele que precisar às pressas evitar um corte, ou quem, mediante comprovação, recorrer a necessidade do tal parcelamento do não pago na quarentena.

(Texto: Danilo Galvão)

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