31 março 2020, 3:55
Crédito: Divulgação

‘Entrevista da Semana’ é com o deputado estadual Barbosinha

Dourados é uma cidade que historicamente sempre teve boas disputas

O deputado Barbosinha deixou a liderança do governo na Assembleia Legislativa para se concentrar na pré-candidatura a prefeito de Dourados. Ele vê a necessidade do apoio de Reinaldo Azambuja para consolidar a chapa DEM e PSDB. Barbosinha terá ainda uma cabo eleitoral de respeito, a ministra Tereza Cristina. A ligação vem desde os tempos de PSB, quando deixaram a sigla em 2018 para filiar-se aos Democratas. Barbosinha prevê o partido com diversas candidaturas e espera uma “reciprocidade” do PSDB para sair candidato com apoio total dos tucanos. Em visita ao jornal O Estado, o deputado comenta o que almeja para Dourados, que historicamente sempre teve boas disputas, faz uma avaliação do governo atual e cita a ascensão do DEM, que hoje conta com dois ministros, um vice-governador e uma bancada no Legislativo estadual.

Barbosinha prevê o partido com diversas candidaturas e aguarda uma “reciprocidade” do PSDB

O Estado – Como está a construção da sua candidatura a prefeito de Dourados?

Barbosinha: Neste momento a fase é de muito diálogo, conversa com os partidos, lideranças partidárias, sindicatos, representações e as pessoas de uma maneira geral. Um projeto político precisa ser construído, tem de ser edificado. E essa edificação, obviamente, passa pela conversa com outros autores dentro e fora do próprio partido. Estou com portas e janelas abertas ao diálogo, obviamente com pessoas e representações políticas que conjuguem do mesmo pensamento e do imenso desafio que será o processo de recuperação ou até de reconstrução da gestão em Dourados.

O Estado – Pela ligação que tem com o governador Reinaldo Azambuja, como fica se não receber o apoio?

Barbosinha: Eu não penso nessa hipótese, eu penso que nós vamos ter um alinhamento político, tanto que eu fui o líder do governador Reinaldo Azambuja até o dia 11 de fevereiro, mesmo sendo do Democratas. Há um diálogo neste momento. Eu não penso na possibilidade de não contar com o apoio do governo do Estado. Agora, é evidente que estamos preparados para qualquer circunstância, mas muito otimista com a possibilidade de ter o apoio do PSDB e de outras agremiações partidárias.

O Estado – Ao analisar a atual situação do município o senhor falou que a cidade está “judiada”. Qual a solução que tem para Dourados?

Barbosinha: A primeira coisa que será preciso recuperar é a gestão em Dourados. Neste momento, a cidade precisa de um administrador “experimentado”. Alguém que conhece a estrutura da máquina pública, que tenha trânsito em Campo Grande, sobretudo em Brasília-DF. Eu tenho dito sempre que o que vai propiciar a melhoria na saúde, educação, infraestrutura, na questão do pavimento de Dourados, que parece Bagdá após bombardeio, a escuridão que reina, o mato que toma conta da cidade, será o reequilíbrio econômicofinanceiro. Hoje, Dourados tem uma estrutura pesada, tudo que Dourados produz a máquina consome. Então, é um processo autofágico. Penso que o grande desafio neste momento é recuperar a capacidade econômico-financeira e transformar em uma estrutura superavitária. O orçamento de Dourados ultrapassa R$ 1,1 bilhão, nós não temos 5% do orçamento preservado para investimento. Então, o que precisa fazer é, exatamente, recuperar e gastar menos do que arrecada. Um ponto importantíssimo que eu vejo em Dourados hoje é uma queda dos indicadores, notadamente do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). No último ano do prefeito Murilo Zauith, o índice do ICMS era 7,07%, este ano é de 4,2%. É o que acontece normalmente quando chega uma situação, a tendência do gestor é aumentar impostos, como por exemplo IPTU, e eu não vou fazer isso. O que eu vejo é que Dourados tem plena capacidade de voltar ao índice de 7% e só com isso terá um incremento da receita de mais de R$ 5 milhões ao mês. Dourados encolheu do ponto de vista da produção, do empreendedorismo e do investimento privado. Ela é uma das cidades com maior geração de renda no Estado. Então, há um descompasso entre o ritmo do setor privado e público. Agora, se tiver um setor privado que caminha bem e a administração o auxilie, tudo ficará melhor. Faremos pela experiência do ex-prefeito de Angélica, do diretor-presidente da Sanesul por mais de sete anos e do secretário de Justiça e Segurança Pública. O desafio em Dourados é exatamente colocar a experiência a serviço da cidade, formar uma equipe técnica competente, porque ninguém caminha sozinho, e eu digo sempre que Dourados cresceu muito e nós não crescemos na forma de pensar.

O Estado – Pelos nomes e quantidade de pré-candidatos com mandatos, a eleição em Dourados pode ser a mais disputada de 2020 entre os municípios?

Barbosinha: Pode ser ou não. Neste momento surgem muitas candidaturas que com o tempo vão se diluindo ou agregando. Nesta eleição não há mais coligação nas chapas proporcionais. Será preciso montar grupos fortes. Até os dias 3 e 4 de abril, durante o período da janela partidária, haverá um caminho a percorrer que vai até julho com as convenções. Eu acredito que haverá muito ajuntamento e agregação de partidos. Dourados é uma cidade que historicamente sempre teve boas disputas e estamos preparados para elas se houver necessidade. Quando a gente entra em uma empreitada dessa natureza, não escolhemos adversários, dialogamos e buscamos um consenso. Tenho que estar preparado aos desafios. Eu acredito que eu estou preparado em todos os aspectos, com muita humildade, que me é peculiar ao longo da minha vida, mas fazer o debate do mais alto nível e dos nomes que se apresentam a concorrer à prefeitura, mostrar que sou o mais preparado em gerenciar o município neste momento de grave crise.

O Estado – A ministra da Agricultura Tereza Cristina será a sua maior cabo eleitoral?

Barbosinha: Eu tenho com a ministra Tereza Cristina um grande vínculo, uma relação de amizade e também de conjunção de pensamentos. Eu tive oportunidade de ser deputado estadual no meu primeiro mandato caminhando com a Tereza como deputada federal, ambos no PSB. Saímos juntos e nos filiamos no Democratas. Gosto muito da forma de agir, pensar, e da forma pragmática e objetiva de Tereza. O trabalho que ela realiza na Pasta da Agricultura tem levado para o mundo um Brasil que ninguém conhecia. Temos grandes concorrentes internacionais que tentam vender no mercado mundial a ideia do Brasil como um país que destrói florestas, que usa agrotóxico de forma indiscriminada, obviamente criar argumentos que diminuem o mercado brasileiro, e a Tereza tem desmistificado isso, tem levado um Brasil de forma diferente.

O Estado – A ascensão da ministra e ainda a atuação de Luiz Henrique Mandetta na Pasta da Saúde elevam o patamar do DEM pensando em cargos como governo e Senado para 2022?            

Barbosinha: Sim, porque, além desses nomes, o DEM tem no Estado o vice-governador, Murilo Zauith, que é hoje o secretário de Infraestrutura do Estado, político experiente que já ocupou cargos federais. O deputado estadual Zé Teixeira e uma grande bancada de vereadores, inclusive sendo quatro parlamentares em Dourados. Quase todos os municípios têm representação do DEM, vários prefeitos que vieram para o partido, disputarão a reeleição. O partido chegará muito forte a 2022, mas lembrando que antes passamos por 2020, elegendo bancada de prefeitos e vereadores, muito obviamente com sucesso nas eleições municipais. Lembrando que o PSDB ao longo desse processo tem sido grande parceiro e aliado ao Democratas. Eu sempre digo que em política o crescimento se faz pelo princípio da reciprocidade. O DEM contribuiu muito com o PSDB, e nós esperamos também que a recíproca possa ser verdadeira em um projeto de construção política, que alicerce os interesses dos dois partidos e de outras agremiações partidárias.

O Estado – O partido vai buscar uma coligação com Marquinhos em Campo Grande?

Barbosinha: Eu acho que neste momento o partido buscará candidatura própria. Mas pode acontecer que no decorrer do processo se construa um diálogo em que se objetive o apoio ao prefeito Marquinhos. Pelo fato do partido estar construindo, alicerçando um projeto político, e a Capital é muito importante nesse processo.

O Estado – Como ex-titular da Sejusp vê a situação da fronteira, que deixou de ser a rota da maconha para ser entrada de armas e cocaína no país?   

Barbosinha: Na verdade o que se continua fazendo são as mesmas cobranças que anteriormente. Quando assumi a pasta levamos para o debate nacional a situação da fronteira. Em todas as reuniões o que sempre passava era a situação de abandono. O que se vê em Mato Grosso do Sul é o mesmo do resto do país, nos mais de 17 mil km de fronteiras, baixíssimo ou nenhum investimento do governo federal, e o sucateamento da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Nós podemos verificar nos postos, quase todos fechados, alguns apenas com um policial em frente do computador, controlando as placas dos veículos na verificação de roubos e furtos. Não há concursos destinados aos policiais para região da fronteira, a maioria dos convocados são destinados as capitais praianas. E parece-me ainda que não chegou a compreensão de que armas, drogas e munições que abastecem os grandes centros passam pela fronteira. A responsabilidade da fronteira é do governo federal. Agora o que o Estado fez: criou-se o DOF (Departamento de Operações da Fronteira), que é uma polícia reconhecida como a mais eficiente do país em termos de proteção, sendo citada pelo presidente Jair Bolsonaro em época de campanha, e recebeu agora do ministro Moro um elogio. Mas isso não basta, é preciso que haja investimento na região. Ainda temos a expectativa no novo governo, com o ministro Moro, de que nós tenhamos uma mudança mais significativa.

O Estado – Qual a avaliação que faz do governo de Reinaldo Azambuja?

Barbosinha: É preciso analisar o critério local e o nacional. Quando eu vejo Mato Grosso do Sul, eu posso dizer que temos uma série de problemas que precisam ser resolvidos. Avançar na saúde, evoluir na educação, crescer mais no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), investir na formação e na qualidade do ensino. Na questão da infraestrutura, é preciso ainda melhorar o modal de um Estado que tem um potencial extraordinário, na agricultura, pecuária, e por meio disso ajudar as indústrias. Quando se faz uma análise do aspecto local, é preciso fazer uma série de ponderações. Agora, quando se observa Mato Grosso do Sul no cenário nacional, eu digo que o governo do Reinaldo Azambuja está caminhando bem, quando comparado com outros estados. Há federações que nem pagaram ainda o 13º salário de 2018 ou estão parcelando o de 2019. Eu consigo ver que a crise não atingiu em cheio Mato Grosso do Sul com a mesma intensidade que atingiu outros estados da Federação. Agora, muito desse resultado se deve, exatamente, à preocupação com a gestão que o governador teve, de manter o Estado de pé.

(Texto: Rafaela Alves)

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