14 dezembro 2019, 4:24
Crédito: Divulgação

Sala de Maria da Glória vira exposição com livros

Resgatando as obras da icônica Maria da Glória Sá Rosa (1927-2016), um acervo montado em seu nome foi aberto na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), beneficiando à população e estudantes com todo esse importante acervo cultural da professora, que contempla cerca de quatro mil itens, mais três mil livros, volumes raros, diários pessoais, fotos de viagens, além de material iconográfico de áudio e de vídeos em VHF que ainda passarão por processo de digitalização. Todo o material foi doado à universidade pelos filhos de Glorinha.

Aline Saddi Chaves, Coordenadora do Núcleo de Ensino de Línguas (NEL), foi quem intermediou o processo junto à família de Sá Rosa, que contou com devido registro em cartório. Foi a responsável ainda por viabilizar, através do apoio financeiro dos alunos  externos  do curso de línguas, a restauração de alguns equipamentos e mobiliários da sala de estar da professora, que ficará em exposição relembrando o ambiente de trabalho de Glorinha.

Com abertura na terça-feira, o (Acervo Maria da Glória Sá Rosa) está disponível não só para alunos da instituição, como para toda a população, sendo que esse novo espaço de pesquisa do Estado foi construído após dois anos de empenho, comandados pelo Núcleo de Estudos Bakhtinianos (NEBA) e professores doutores, Daniel Abrão e Volmir Cardoso Pereira, – Daniel que coletou pessoalmente o material do Acervo Maria da Glória Sá Rosa que contém mais de 3000 mil livros – resultando em um refúgio de saber e cultura.

“Este é um momento importante para a Cultura do Estado, o que reforça a importância da Uems na sociedade, além de ser uma ação que dá um suporte bibliográfico robusto aos Cursos de Letras e demais Cursos da Unidade de Campo Grande”, explica o professor Daniel. Segundo ele, Maria da Glória cruza a história e a memória cultural do Estado. “Não há como falar em curso de Letras sem passar pelo nome dela”, destaca.

Dentre as obras, autores como Carlos Drumond de Andrade, Guimarães Rosa, Jorge Luiz Borges, Proust e Manoel de Barros, além de publicações dos escritores da geração (Beatnik), que fizeram parte de um movimento sociocultural norte-americano nos anos 1950, propagando um estilo de vida antimaterialista. Desses, no acervo de Maria da Glória destacam-se obras de Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs.

De acordo com o professor envolvido no projeto, Daniel Abrão destaca que incorporados à coleção estão muitas obras ainda na língua nativa dos países que foram escritas, como publicações em francês, espanhol, italiano e inglês, como também trabalhos de autores regionais e mapas cartográficos que datam de 1919.

Currículo Espelho de Cultura
Pioneira no ensino em todo o Mato Grosso do Sul, Maria da Glória Sá Rosa foi umas das principais professoras da Capital Campo Grande, responsável por gerações de intelectuais que formaram-se ao passar por suas mãos e didática. Em prol do Estado e sua cultura, a professora membro atuante, ocupando a cadeira 19 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, fundou a Aliança Francesa em Campo Grande além de lecionar nas Universidades Fucmt, hoje UCDB, e UFMS.

Pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) recebeu o título de Doutora Honoris Causa. Em seu nome, cerca de 12 livros foram publicados. Durante abertura do espaço, na última terça-feira (19), Lenilde Ramos, cantora e escritora que conviveu décadas com a professora, afirma que ela foi uma grande incentivadora cultural do Estado, além de empreendedora nata. “O fato de estar numa universidade pública, torna o acervo vivo, despertando o interesse da sociedade pelo material a disposição no local”, apontou.

Para o familiar José Carlos de Sá Rosa, filho da Maria da Glória, disse que o espaço dedicado à sua mãe, tem material de várias partes do mundo e representa o interesse dela pela cultura internacional. Ele garantiu que é “uma herança para as gerações futuras”.

Segundo o coordenador Daniel Abrão, todo o resgate é demorado e minucioso, sendo que ainda não acabou. Ele comenta que ao longo dos anos os livros acumulam fungos que deterioram as páginas, sendo necessária a limpeza e higienização. Evitando que esse patrimônio cultural, que vem em formato da sala que abrigou as ideias da professora e que irá inspirar outras centenas de pessoas, caia no esquecimento, é importante ressaltar que todo o acervo também será futuramente disponibilizado virtualmente através de um site exclusivo. “Se não recuperamos acervos importantes como da professora Maria da Glória a memória acaba se diluindo”, finaliza ainda o professor. (Com assessoria)

Serviço: Na unidade da Uems de Campo Grande, o acervo Maria da Glória Sá Rosa, ficará aberto à população de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h30, para consulta local, sem empréstimos de nenhuma natureza.

(Texto: Léo Ribeiro)

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