9 dezembro 2019, 12:07
Crédito: Divulgação

Líder de gangue assaltava para pagar dívida com PCC

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul vai investigar a informação de que Antônio Júlio da Silva, 54 anos, conhecido no mundo do crime como ‘Velho do PCC’ e ‘Andorinha’, organizou a chamada ‘Gangue do Chapéu’, responsável por mais de três assaltos a estabelecimentos comerciais da Capital entre o fim de outubro e o início deste mês, como forma de pagar suas dívidas com o PCC, facção criminosa paulista que controla o tráfico de drogas e armas nas fronteiras do Estado.

‘Velho’ morreu na noite de anteontem após atirar contra policiais militares do Batalhão de Choque (tropa de elite da PM) na entrada de uma fazenda onde estava se escondendo, no distrito de Taboco, em Corguinho. Ele é apontado como o líder da gangue que ganhou notoriedade na Capital após os vídeos de suas ações serem divulgados.

O nome do bando, inclusive, vem pelo fato de seus integrantes usarem chapéu para tentarem não serem identificados. Mas a tática não deu muito certo. Na madrugada do último dia 10, dois comparsas de ‘Velho’ também morreram em confronto com o Choque. Valdecir Valchak, 31 anos, e Dilermando César Pereira de Almeida, 24, foram localizados no mesmo Volkswagen Polo preto usado pela quadrilha nos crimes na BR-060, entre o distrito de Indubrasil, na região oeste da Capital, e Rochedo. Com eles, armas de uso restrito, como carabina e sub-metralhadora, além de dois endereços no bairro Portal Caiobá, na região sul da Capital, que serviam de depósito para o PCC esconder armas.

Segundo a reportagem apurou com integrantes do alto escalão da PM, ‘Velho’ tinha de quitar empréstimos feitos junto à facção para pagamento de advogados e até para ajudar no sustento de sua família fora da prisão. Por conta disso, teria oferecido os serviços de assaltante como forma de obter o valor pedido pelos líderes do PCC que cumpriam pena com ele no Presídio de Segurança Máxima da Capital, no Jardim Noroeste, região leste.

Para isso, recebeu todo o apoio necessário para tentar fugir do cárcere. E após quatro tentativas frustradas não só na Máxima, mas também no Instituto Penal de Campo Grande, no mesmo complexo, para onde chegou a ser transferido, conseguiu sucesso na madrugada do dia 23 de setembro, quando trocou de cela com um outro detento e pulou o muro da unidade penal junto de outros dois presos se utilizando de uma escada artesanal. O caso é apurado pela Corregedoria da PM, responsável pela patrulha da muralha naquele horário.

Fora da prisão, ‘Velho’ passou a colocar seu plano em prática. Era ele quem decidia os locais a serem assaltados, dividia o dinheiro obtido nos roubos e fazia o controle das armas ‘emprestadas’ pelos líderes do PCC. Somados os ‘paiols’ da facção no Portal Caiobá e também no Parque dos Novos Estados, na região oeste, localizados pelo Choque, foram apreendidos mais de R$ 5 mil em dinheiro que a polícia acredita ser pagamento feito por Silva à quadrilha.

Após fugir da Máxima, ‘Velho’ montou o grupo de bandidos que integrariam sua quadrilha. E o bando tem pelo menos três atuações confirmadas: um açougue na Avenida das Bandeiras, na Vila Carvalho (região central), um mercado no Jardim Inápolis (região oeste) e uma farmácia na Vila Gomes (região norte). A polícia apura a autoria do bando em pelo menos outros cinco crimes semelhantes ocorrdios em datas próximas.

AÇÃO

‘Velho’ foi localizado pelos policiais do Choque após denúncia anônima. Segundo a PM, ele chegava à fazenda onde estava escondido junto de um comparsa quando reagiu à abordagem. Armado com uma pistola 9 milímetros, fez pelo menos 17 disparos contra a equipe, sendo atingido no revide. Ele foi socorrido até ao pronto-socorro de Rochedo, mas não resistiu aos ferimentos.

Nascido em Lins (SP), ‘Velho’ construiu sua carreira no crime no interior paulista nos anos 1990 antes de chegar ao Mato Grosso do Sul no fim daquela década, quando a facção passou a se penetrar no Estado para controlar as rotas do tráfico sem intermediários.

Sua primeira prisão aconteceu em 2000, pela Polícia Civil, após ser identificado como o autor de diversos roubos na Capital. Condenado a mais de 30 anos de prisão e identificado como liderança do PCC, passou dois anos na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR) antes de seus advogados conseguirem a transferência para a unidade de mesmo tipo em Campo Grande. Chegou a ser libertado no início dos anos 2010, mas voltou a ser detido após ter seu nome associado a execuções cometidas pelo PCC contra seus inimigos

Para a PM, restam apenas dois integrantes da ‘Gangue do Chapéu’ livres. Um deles é o comparsa que acompanhava ‘Velho’ na fazenda e fugiu no meio do matagal. E o motorista do Polo preto nos assaltos, flagrado pelas câmeras de segurança. Nenhum dos dois teve a identidade revelada.

(Texto: Rafael Ribeiro)

 

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