17 outubro 2019, 22:00
Felipe Gonçalves

Cutelaria devolveu ânimo a Roberto transformando seus dias

Hoje nós vamos conhecer um trabalho antigo que lembra os tempos medievais, a cutelaria, que é a arte de fabricar facas de maneira artesanal. Forjadas a altas temperaturas e moldadas pelas pancadas de martelo, aos poucos as facas feitas de aço ganham forma. A arte milenar é uma mistura de força e delicadeza.

O consultor agropecuário Roberto Rondon Kassar, de 64 anos, produz o que podemos chamar de obras de arte, e criatividade é o que não falta na cabeça desse cuteleiro. Neto de desbravador do Pantanal, ele conta que foi lá que tudo começou. “Eu conheço isso desde a infância, veio da minha história no Pantanal. Eu sou do Pantanal, meu pai foi comerciante do porto do rio de Corumbá e sempre nos ensinou que ferragem não acaba nunca, é um material para a vida toda e de fácil comercialização”, conta o cuteleiro.

Como ainda não conseguiu se aposentar, Roberto aproveita para fazer do hobby uma complementação na renda. “É um hobby que está me dando bastante satisfação, como ainda não consegui me aposentar e é uma complementação de renda que está me trazendo grandes prazeres”, expõe.

Além de produzir produtos com muita qualidade, Roberto cobra preços bem acessíveis pelos trabalhos, entre R$ 75 e R$ 200, que variam de acordo com o tamanho e o com o cabo utilizado. São 16 horas de trabalho para a fabricação de cada faca. O serviço é feito na chácara e com produtos reaproveitáveis.

“Eu sempre me preocupei com a qualidade e a durabilidade. Minhas facas são duráveis e quem comprou uma faca minha já compra três, quatro, e os preços são bastante acessíveis. São ferramentas eficientes e duráveis, é uma forma de reciclar materiais que são jogados na fazenda e que a natureza demora muitos anos para absorver. Eu reaproveito disco de arado, serra, traçadores, e reutilizamos esse material”, explica.

Ao longo desses anos de muito trabalho, com criatividade e amor pelo que faz, o cuteleiro já produziu 300 facas e vendeu 230. Atividade que, segundo ele, devolveu o ânimo para sua vida. “Na idade em que eu me encontro, ter essa atividade foi um alento para a minha vida, hoje eu me sinto restabelecido emocionalmente. O importante é você estar estabilizado e ter uma atividade. A pessoa da terceira idade precisa ter uma atividade para que se sinta feliz, ele tem de fazer alguma coisa; você tendo uma atividade e sempre trabalhando você se dedica mais e com isso tem mais capricho com as coisas”, conclui Roberto, falando de forma muito carinhosa e agradecida.

Serviço: Quem quiser conhecer o trabalho do Roberto Rondon e adquirir uma de suas facas pode entrar em contato com ele no telefone (67) 99989-5198, ou por intermédio do Instagram @facasrondon. (Texto: Bruna Marques)

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