26 setembro 2020, 9:21
Foto: Valentin Manieri

Dos 150 salvos, apenas 15 papagaios sobreviverão, diz vet

É de cortar o coração a maldade humana. Dos 150 filhotes de papagaios apreendidos no domingo passado (15), apenas 10%, ou seja 15, sobreviverão para retornar a natureza. A atual situação dos bichos requer muitos cuidados porque os pequenos estão com imunidade baixa. Só para se ter noção do quão grave a situação é, nossa equipe teve que colocar máscaras para entrar no local onde eles estão sendo tratados.

Em conversa exclusiva com o Jornal O Estado, o médico veterinário responsável pelo tratamento, Lucas Cazatti contou como foi o processo do resgate. Foram apreendidos 150 papagaios da espécie Amazona Aestiva, esses animais estavam em caixas dentro de um automóvel. Acreditamos que tenham entre 20 a 40 dias de vida, pois são bem pequenos e outros já estão começando a empenar. Os ninhos desses animais foram saqueados brutalmente por esse traficante para fazer a revenda no estado de São Paulo”, lamenta o veterinário.

Acima de tudo, o que os pequenos precisam tanto quanto a nutrição, é o amor e o cuidado que lhes foi tirado. Tanto Cazatti, quanto a sua equipe trabalham noite e dia para tentar devolver a esperança da sobrevivência para eles.

Por motivos de segurança e devido a baixa imunidade dos bichinhos, apenas o fotógrafo da equipe teve acesso ao recinto onde os filhotinhos se encontram. E o doutor entristecido, conta que mesmo sabendo que todo o trabalho está sendo realizado, apenas 10% terão a sorte de sobreviver.

Apenas 10% desses animais vão ter sobrevida. É um processo muito longo, é um processo que gera muito estresse para cada indivíduo. Veja, é um animal que a mãe cuida até a idade adulta e por conta disso como é cuidado por um humano gera um estresse muito grande para eles. Então, por conta disso e de outros fatores o animal vem a óbito”, revela.

Sobre o futuro incerto destes pequenos, o veterinário pondera que ainda será necessário esperar por um longo período, onde eles precisarão aprender ações básicas para sua sobrevivência, como por exemplo, voar.

Vamos esperar esses animais crescer, é um passo bem longo. Vão ficar aqui cerca de um ano, até se tornarem um jovem adulto e consequentemente mudaremos a alimentação deles. A partir de um ano, eles vão para um recinto de voo, onde vão aprender a voar, a readaptar suas características físicas para o voo. Então, ele vai adquirir toda função aerodinâmica do voo, porque na verdade eles não sabem voar e como a mãe não estará lá para ensinar, cabe a nós estimular”, completa.

Para quem acha que este é apenas um caso isolado, o veterinário ressalta que pesquisas apontam que o tráfico de animais está em 3º lugar no ranking, perdendo apenas para o tráfico de armas e drogas. Esta é apenas a primeira apreensão, de um número que somente em 2018 totalizou as mil apreensões.

Segundo esse infrator ele repassaria as aves para o vendedor de São Paulo, por R$ 50, onde seriam vendidas por até R$ 1.500 cada um. Geralmente eles já deixam os ninhos demarcados, esperam chocar, e na hora que nasce eles já saqueiam os animais”, finaliza.

(Texto: Michelly Perez)

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