18 outubro 2019, 14:49
Crédito: Chico Ribeiro

Infraestrutura projeta desenvolvimento de Porto Murtinho

Cidade é preparada para novo tempo após ativação de Corredor Bioceânico

A partir de um arrojado sistema intermodal de transporte para escoamento da produção agropecuária, Porto Murtinho deve viver uma nova fase da sua história, em um momento no qual Mato Grosso do Sul chegará finalmente à sua vocação geográfica no continente. A cidade de 13 mil habitantes, localizada no extremo oeste do Estado, projeta o seu futuro, em que pelo Corredor Bioceânico o Brasil Central desbravará o Pacífico, cortando caminhos para o principal destino das exportações do agronegócio: a Ásia.

Porto Murtinho e a fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai estão se transformando em um canteiro de obras, e conforme dados do Governo do Estado. Já são mais de R$ 650 milhões serão injetados no município em dois anos.

Crédito: Chico Ribeiro

“Porto Murtinho será a nossa nova Paranaguá”, projeta Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro). “O desenvolvimento da região é algo concreto, tem cronograma e está acontecendo, impulsionado pelos incentivos fiscais do Programa de Estímulo às Exportações e Importações, criado pelo governo em 2015, e pelos investimentos públicos para viabilizar a Rota Bioceânica.”

Mundo de olho na “transformação”

A capacidade de escoamento fluvial de commodities do município, hoje de 460 mil toneladas/ano, será ampliada para seis milhões de toneladas/ano a médio prazo, segundo cenário desenhado pelo Estado. “Mato Grosso do Sul será o novo hub logístico para a América do Sul”, afirma o governador Reinaldo Azambuja. “É fundamental essa expansão logística porque o Estado deve aumentar em mais 1,5 milhão de hectares a área plantada em 10 anos”.

A perspectiva de reduzir distâncias e custos de transporte, potencializando a produção regional nos mercados internacionais, com a construção da ponte sobre o Rio Paraguai, já desperta também interesses dos centros consumidores, como o asiático, principal mercado de Mato Grosso do Sul. O jornal econômico da China, The Economist Observer, enviou um jornalista ao Estado para reportar esse novo “boom” e um futuro de bons negócios.

17 dias mais barata a logística

O Corredor Bioceânico vai reduzir em 17 dias o trajeto de viagem das commodities de Mato Grosso do Sul até o mercado asiático, embarcando nos portos do Chile, ao invés de usar os portos de Paranaguá (PR) ou de Santos (SP). O Paraguai lançou em julho a licitação do projeto executivo da ponte, que será iniciada em 2020 com conclusão em três anos, ao custo de R$ 290 milhões. A estrutura de 680m será instalada no km 1032 da Hidrovia do Rio Paraguai.

O vizinho país também cumpre o acordo para viabilizar a nova rota com o asfaltamento de 497 km da Rodovia do Chaco (Pantanal), de Carmelo Peralta a fronteira com a Argentina. O primeiro trecho, de 227 km, segue seu cronograma em duas frentes – Carmelo Peralta e Loma Plata -, com previsão de conclusão do primeiro lote em setembro, de 24 km. A obra executada pelo Consórcio Corredor Vial Oceânico (Queiróz Galvão e Ocho A) custará U$ 420 milhões.

Crédito: Chico Ribeiro

Investimento público e da esfera privada

Com a construção de três novos portos e a perspectiva de um quarto, de um grupo paranaense, mais de R$ 450 milhões serão injetados em Porto Murtinho, cidade distante 460 km de Campo Grande. Somando os investimentos do Estado e da União em infraestrutura, chega-se ao valor de R$ 650 milhões, além dos recursos ainda não estimados pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) para ampliar a pista da BR 267.

Dois grandes empreendimentos privados estão brotando no solo murtinhense. Um dos novos portos, o da FV Cereais, está com 60% de sua obra concluída e deverá antecipar a operação para março de 2020, prevista inicialmente para abril daquele ano, informou o engenheiro responsável Jairo Emanuel Rosso. O terminal para estacionamento de rodotrens, no km 679 da BR-267, deverá concluir a pavimentação do espaço para 400 veículos em quatro meses.

Estação de rodotrem base hoteleira

Um dos maiores exportadores do Estado (1,2 milhão de toneladas/ano de soja e milho), a FV Cereais, com sede em Dourados, investe R$ 110 milhões no terminal, que terá capacidade para movimentar dois milhões de toneladas/ano de grãos e açúcar. O grupo também vai importar fertilizantes do Uruguai, de onde já embarcou uma carga experimental de duas mil toneladas em 2018, com valor 8% mais barato em relação ao custo de transporte via Porto de Paranaguá.

A construtora do porto trabalha em várias frentes com 70 operários e iniciou a montagem da estrutura do armazém graneleiro para 30 mil toneladas. Do outro lado da cidade, o grupo Mécari Distribuidora investe R$ 16 milhões na construção da estação para regular o fluxo de cargas para os terminais portuários, com previsão de dobrar a capacidade de veículos a médio prazo. A estrutura vai dispor de hotel com 120 leitos, minishopping e posto de combustível. (Danilo Galvão com informações de Assessoria – Silvio Andrade/Governo do Estado de Mato Grosso do Sul)

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