3 março 2021, 5:26
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A força da celulose na economia de MS

Quem se deslocava de Campo Grande para alguma cidade do Bolsão, no final da década de 1970, de trem ou de automóvel, se deparava com uma imensa floresta de eucalipto concentrada nos municípios de Rio Pardo, Três Lagoas e Água Clara. Algo como 466 mil hectares de eucalipto e pinus foram plantados como parte do Programa Nacional de Papel e Celulose, criado pelo governo Federal, uma das diretrizes do 2º Plano Nacional de Desenvolvimento para o Centro-Oeste.

A ideia era criar um Distrito Florestal no sul de Mato Grosso que atendesse parte do mercado nacional de papel e celulose. A crise econômica que se abateu sobre o país no início da década 1980 inviabilizou temporariamente o projeto. Por mais de 20 anos a mata de eucalipto e pinus teve pouca importância econômica. Parte dela ficou entregue ao fogo, formiga ou virou carvão para abastecer algumas indústrias de Minas Gerais.

Em que pesem as dificuldades a floresta do bolsão não passou despercebida do mercado internacional. Os ativos plantados eram importantes para ficar esquecido. Havia a esperança de que o Bolsão se tornaria um centro importante de produção de celulose. O sonho começou a se tornar realidade a partir de 2009 quando a Fibria inaugurou sua fábrica em Três Lagoas, evento que aqueceu imediatamente a economia da Costa Leste.

Em pouco tempo outra empresa da cadeia da celulose se instalou em Três Lagoas, a Eldorado. Três Lagoas tem as qualidades que o mercado deseja: boa logística e eucalipto a perder de vista. A chegada dessas empresas foi muito comemorada pela população. Uma ampla porta de oportunidades foi aberta. A cidade virou um canteiro de obras. Gente do Brasil inteiro se deslocou para o município com o objetivo de participar desse momento.

Pelo que sabemos estamos apenas no início de uma fase alvissareira da celulose no estado. Há um espaço imenso de crescimento do setor. Por isso está havendo um aumento excepcional de área plantada. Dados recentes indicam que temos 1.123 milhões de hectares o que tornou o estado o segundo maior produtor de eucalipto do Brasil. A floresta está gerando emprego, renda, tecnologia, tributos e cidadania. Só em Três Lagoas foram gerados 11 mil empregos diretos.

Dados da Semagro de Mato Grosso do Sul referente ao primeiro bimestre de 2019 apontam que a celulose já é responsável por 50,3% de toda pauta de exportação do nosso estado. Desde o ano de 2018 que a exportação de celulose ultrapassou a exportação de soja.

O impacto econômico é tão forte que o município de Três Lagoas é responsável atualmente por 51%% de toda a produção de MS voltada para o mercado externo. A celulose vai quase totalmente para a china, embora o mercado dos EUA e Europa recebam uma pequena parte do produto produzido em MS.

Ademais, Informações do G1/MS de 08/07/2019 indicam que Mato Grosso do Sul exportou 2,175 milhões de toneladas nestes últimos seis meses, as plantas de produção de celulose instaladas no estado registraram uma receita de US$ 1,055 bilhão. Esse faturamento representou 40,19% do total da receita de Mato Grosso do Sul com as exportações no período.

Desejo toda sorte do mundo a todos que acreditaram na força econômica do eucalipto. Estou empenhado na luta do governo para trazer outra indústria de celulose para o município de Ribas do Rio Pardo. Que nosso estado continue no caminho do progresso explorando de forma racional e sustentável suas cadeias produtivas. (Pedro Chaves)

Pedro Chaves: Economista, educador e secretário de Estado do governo de Mato Grosso do Sul.

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