10 dezembro 2019, 8:44

Incluir pessoas com distúrbios sensoriais traz felicidade

“Ir a ambientes adaptados facilita frequentar locais comuns”, afirma psicóloga

O medo, as sensações e o próprio transtorno sensorial afasta famílias dos ambientes comuns. Pensando em resolver esta situação as psicólogas Carolina Salviano, Bruna Mato e o gerente de projetos, o técnico de informação, Leonardo Cardozo, criaram a Sessão Azul. O projeto realizou a primeira sessão de cinema totalmente inclusiva registrada em Campo Grande. O acontecimento foi no UCI do Shopping Bosque dos Ipês e permitiu cerca de 60 pessoas aproveitarem a sala totalmente ambientada para crianças com distúrbios sensoriais.

Já são mais de 42 mil pessoas atendidas em 12 estados e 26 cidades. Carol trabalha com crianças com aspecto do autismo e com distúrbios sensoriais há 16 anos e sempre imaginou como solucionar a dor das famílias. “É difícil para crianças com aspecto do autismo, e outras com distúrbios sensoriais, ir a locais que frequentamos. Eu fazia terapia domiciliar. Uma das minhas tarefas era ir do lugar privado para o local público. Eu as ambientava. Eu via o quanto era difícil e como as pessoas não respeitavam isso. O próprio ambiente do cinema e do teatro causava desconforto a elas”, explica.

Assim, Carol começou a pesquisar mais a fundo o assunto e descobriu que algumas pessoas nos EUA e em Portugal estavam pensando nisso e fazendo também. “Percebi realmente que tínhamos que fazer no Brasil. Solucionar a dificuldade que estes pais passam diariamente para estar em ambientes sociais e nas ruas. Como terapeuta eu sempre incentivei: tem que antecipar o que vai acontecer nos ambiente, explicar, mostrar fotos. Na sessão azul temos este material visual para eles entenderem o que vão encontrar”, conta.

Realizada com o projeto, Carol vê a felicidade das famílias ao conseguirem frequentar normalmente todos os ambientes depois de participaram das sessões adaptadas. “Eles se sentem confortáveis na Sessão Azul. Crianças, adolescentes ou adultos tem a vida mudada porque eles passam a frequentar locais sociais e passam a ter programas para ir. Eles conseguem sair e se sentem mais felizes por isso”, destaca.

Para Carol, as ações adaptadas são o que eles queriam e melhora a vida de todo mundo. “Nossa, dos voluntários, para as pessoas com distúrbios e para as famílias. Melhora a qualidade de vida dos envolvidos.

Quem não acredita em adaptar os ambientes para ajudar a solucionar o problema das pessoas com distúrbios sensoriais e suas famílias, Carol deixa o recado: “Tudo bem não pensar em adaptação. Que elas façam o possível para se adaptarem conforme o ambiente. Tudo bem. Que eles façam a inclusão de outra forma. É só uma outra visão. A gente tem que respeitar a visão do outro”, finaliza.

(Rafael Belo)

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