“Suspeitava que o CAPS Afrodite estava tendo um surto de COVID”, revela médico psiquiatra

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PREOCUPAÇÃO: “Em dez pacientes, três eram COVID e dois poderiam ser”, afirma Diretor do CAPS

“Fiquei muito preocupado. Em dez pacientes, três eram COVID. Ainda uma na UPA e um na residência terapêutica também podendo ser. Liguei para nossa supervisora da saúde mental responsável por Campo Grande, Ana Carolina, e concordamos que alguma medida precisava ser tomada. Eu suspeitava que o CAPS Afrodite estava tendo um surto localizado de COVID, de coronavírus”, revela o médico psiquiatra, Eduardo Araújo, Diretor Clínico do CAPS III (Centro de Atenção Psicossocial) Afrodite Dóris Contis.

Na manhã desta segunda-feira (5), dois pacientes que já estavam isolados no CPAS testaram positivo para COVID-19. Um que o psiquiatra visitou na Santa Casa também tinha a doença com algo entre 30% a 50% de comprometimento dos pulmões. Há também três médicos afastados devido a sintomas respiratórios. Apenas um paciente foi mantido no local devido a instabilidade no estado mental dele.

O Diretor Clínico entrou em contato com a redação do site Jornal O Estado MS para esclarecer o relato de uma paciente sobre a exposição dos usuários do lugar à infectados pela COVID-19, ontem (5). As informações eram de que todos tinha sido mandados para casa sem orientações e apenas os funcionários fizeram o teste para o novo coronavírus. O Diretor Clínico explicou que imediatamente ligou para a Vigilância Sanitária da Sesau (Secretaria Municipal da Saúde) pela URR (Unidade de Resposta Rápida) e passou todos os casos. “Ele falaram: ‘é um surto de COVID!’ Primeiro tem que fazer os exame em todos os profissionais do CAPS e todos que tiveram contato com estes possíveis pacientes. Eles fizeram a previsão que levariam à tarde 80 kits do swab nasal em funcionários e pacientes”, pontua.

A previsão não se concretizou e a decisão foi mandar para casa todos os pacientes assintomáticos, sem nenhum problema, de acordo com o protocolo da URR que dispensa o swab nasal para os citados. “Será que este paciente deve ficar aqui no CAPS correndo o risco de pegar coronavírus porque não sei quem mais pode ter ou é melhor ir pra casa, esses sem nenhum tipo de sintomas, e fazer uma observação? Por que quando decidimos mandar estes estabilizados mentalmente e sem sintomas para casa, colocamos toda uma equipe que está em contato diário com eles à disposição. Demos altas a eles. Os exames chegaram pouco depois das 13h e os fizemos em todas as pessoas presentes, inclusive a que fez a denúncia ao jornal, e na mãe de um paciente que estava acompanhando o mesmo ali”, destaca.

Exames

O médico psiquiatra afirma que os testes continuam a ser realizados nesta terça-feira (6) e na quarta-feira (7). “Vamos pegar todos os profissionais do CAPS. Não é possível fazer todos ao mesmo tempo porque não é um exame tão simples e rápido de fazer. O resultado sai em no mínimo 72 horas”, avisou.

De acordo com Eduardo Araújo, só quatro pacientes não tinham realizado o exame, mas dois já o fizeram e o restante fará amanhã (7). Todos eles estavam assintomáticos. Outro ponto é sobre uma enfermeira que teve COVID e voltou a trabalhar em menos de 14 dias. “Ela é muito responsável e e da nossa confiança. Jamais ela seria liberada para o trabalho se não tivesse sem sintomas. Ela tem nossa confiança. Infelizmente nessas horas tem pessoas mal intencionadas ao passar informações”.

Devido ao prejuízo mental de alguns pacientes, as máscaras não permaneciam no rosto da maneira correta e outros não entendiam que precisavam ficar confinados, mas rapidamente eram atendidos pelos profissionais. Assim, voltavam para o isolamento quem já estava e corrigia o uso de máscara. O médico psiquiatra Eduardo Araújo deixou claro que o ambiente é acolhedor e jamais aconteceriam retaliações. Foi feita uma reunião com toda a equipe e ficou decidido que o melhor para todos era considerar que o ambiente era de surto de COVID e orientar quem poderia ir para casa, assim o fazer. Isso durante dez dias.

Casos

“Da semana passada para cá, percebemos pessoas sintomáticas respiratórias no CAPS. Eram dois homens que estava internados lá e fizemos uma sala de isolamento respiratório com janela e circulação de ar. Os separamos dos demais. Os isolamos. Então, pedimos os testes para ver ser era COVID ou uma gripe comum. Demora de três a cinco dias para ficar pronto”, lembra o diretor clínico, o medico psiquiatra Eduardo Araújo.

Neste meio tempo, um paciente bem debilitado e com um desequilíbrio por causa de um problema neurológico associado caiu, bateu a cabeça, nada de grave aconteceu, mas foi mandado para fazer uma tomografia de crânio na Santa Casa para ver se havia lesão. “A tomografia acabou por ser dos ossos da face e não havia nada. Mas, na avaliação perceberam uma respiração mais rápida e pediram uma tomografia de tórax. Pelo resultado, o mantiveram lá porque poderia ser COVID. Nos dias seguintes apresentou os sintomas da doença. No fim de semana, uma paciente mulher também apresentou sintomas, mandamos para UPA e um outro que estava na nossa residência terapêutica estava com dificuldade de respirar”, avalia.

“Nós já tivemos muitos casos. Lá fazemos uma acompanhamento da comunidade. Temos a capacidade de abrigamento de cinco leitos femininos e cinco leitos masculinos. Além disso, temos muitos pacientes que fazem tratamento intensivo ou semi-intensivo passando o dia no CAPS, às vezes de segunda a sexta ou alguns dias durante a semana. Damos assistência à eles então durante o dia. É para facilitar a saúde mental do paciente”, disse o psiquiatra.

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