INÉDITO: Moda, artesanato, arte e cultura são a economia criativa em Campo Grande

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Moda, artesanato, arte e cultura movem a economia em Campo Grande, principalmente quando setorizados como criativos. Em uma iniciativa inédita o doutorando Adriano Pereira de Castro Pacheco, fez um levantamento geral da economia criativa e englobou todos que compõem este cenário. Ele mapeou este setor como fruto do chamamento público por meio da Lei Aldir Blanc.

Ele é doutorando em administração na Escola de Administração e Negócios da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Além de pesquisador em políticas culturais, economia criativa e desenvolvimento territorial. O levantamento implicou em uma busca ativa desde base de dados oficiais até outros métodos para chegar aos trabalhadores criativos. Trata-se novos modos de produção contemporânea, nos contextos locais.

No seu trabalho, Adriano Pacheco, traz um estudo pioneiro do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), realizado no ano de 2013, que identificou a Economia Criativa como promoção da diversificação econômica, de receitas, de comércio e inovação e se relaciona com as novas tecnologias.

“Este setor é um mix de formalidade e informalidade. Tem tanto iniciativas que são formalmente constituídas de micro-empreendedores individuais, microempresa e organizações da sociedade civil. Além, de uma gama de trabalhadores na informalidade por causa da legislação trabalhista e impostos que dificultam a formação de um mercado formal”, explicou o pesquisador.

Iniciativas criativas

Dos 70 participantes escolhidos inicialmente, entre os que ficaram são iniciativas mais representativas em termos conceituais que receberam uma investigação mais aprofundada com entrevista e análise documental. “A imaginação move a cidade responde quais são as iniciativas que dão sentido à cidade em tempos de pandemia e restrição econômica. Elas são iniciativas que se reposicionaram e se reinventaram na cidade, na sua produção como Faixa Paraguaia, Eco Linhas, República das Arteiras, por exemplo.

Toda o fomentador da economia criativa em Campo Grande, se organizava em feiras livres ou em parcerias com a área pública com festivais em Campo Grande e outras cidades do estado. “Com a pandemia passaram a fazer a comercialização pelo instagram, pelo facebook, pelos sites e outras redes sociais. Campo Grande é muito diversificada e como tem coletivos de moda, empreendedores do moda autoral, tem a economia solidária, artesanato e gastronomia”, pontua.

Adriano Pacheco está trazendo uma perspectiva de economia criativa de base territorial e comunitária que é mais artesanal e de colaboração. “Mesmo neste tempo de distanciamento , a característica é de muita colaboração entre equipes, grupos e coletivos formais e informais. Ela dá um mote significativo até porque estávamos falando da economia intensiva em símbolos, do intangível, diferente do que os organismos internacionais frequentemente postulam, ligado a direitos autorais e propriedade intelectual. A economia criativa olha para a realidade da cidade, para o cotidiano e para as histórias de vidas”, aponta.

Empresários criativos

No material desenvolvido pelo doutorando Adriano Pacheco estão os relatos a seguir. “Faixa Paraguaia: tecendo a nossa história” é uma das ações concebidas no âmbito do projeto “Sapicuá Pantaneiro”, realizado desde o ano de 2003 inspirado no pantanal sul-mato-grossense, idealizado por Claudia Medeiros.

Nasceu em 2003 com o objetivo de resgatar, desenvolver e incentivar o artesanato da região do Pantanal de Mato Grosso do Sul, preservando a natureza, a cultura e suas tradições. O projeto foi selecionado em 2011 como Ponto de Cultura, pela Fundação de Cultura de MS, no âmbito do Programa Cultura Viva, vinculado ao extinto Ministério da Cultura. Além da faixa paraguaia, o Sapicuá concebeu oficinas pedagógicas utilizando o couro e a lã de carneiro para produção de laços, chicotes, alforges e cobertores, entre outros.

Nos últimos dois meses, formaram dez faixeiras em Campo Grande. “Resolvemos criar a videoaula porque acreditamos que tal saber tradicional deva ser difundido ao máximo devido sua potência como símbolo cultural e, também, oportunidade de complementação de renda com a produção e comercialização das faixas paraguaias para as artesãs”, explica Claudia que ensina como preparar o tear, como tecer, material utilizado, além de dar dicas de como construir seu próprio tear, entre outros segredos fundamentais da arte da faixa paraguaia. Ele também foi contemplado pela Lei Aldir Blanc.

Eco Linhas

Já o Eco Linhas é um negócio social, criado no ano de 2019 por Isabel D. Muxfeldt (design e artesã). A iniciativa é acompanhada pelo programa de aceleração de negócios de impacto socioambiental do Living Lab – Sebrae MS. A eco linhas trabalha com materiais reutilizados que seriam descartados, como:calças jeans, camisetas, sacos de cebola, batata, laranja, big bags de açúcar , lona de caminhão, cinto de segurança, dentre outros. Através do artesanato sustentável, transforma-se estes descartes em produtos de moda e brindes corporativos.

lém disso, Isabel atua na prestação de assessoria e na realização de oficina em comunidades com ênfase na geração de renda.A criadora Isabel destaca que a iniciativa transformava um produto que iria para o lixo em um produto sustentável e desejável.

“Nossas parceiras são mulheres (costureiras e artesãs) de bairros periféricos que trabalham em suas casas complementando renda familiar com as peças confeccionadas para a Eco Linhas”, reflete Isabel.

Arteiras

Outra iniciativa ligada diretamente a moda é de Ivani Marques da Costa Grance, fundadora e coordenadora da Plataforma TECER. Ela também é responsável pelo coletivo “República das Arteiras”, que foi idealizado com mais duas costureiras da periferia de Campo Grande com o apoio da ONG Instituto de Desenvolvimento Evangélico (IDE), a partir de um projeto que agregava costureiras de variadas especialidades, dando-lhes visibilidade. O coletivo funcionou de 2018-2020 em um espaço empresarial na Incubadora municipal Mário Covas, atendendo prioritariamente criadores de moda autoral dentro do conceito de produção Slow Fashion, antagônico ao sistema de produção Fast Fashion.

Neste período, elas desenvolveram uma rede colaborativa entre diversos profissionais, desde prestadores de serviços da confecção, estamparia e bordados a produtores de moda, estilistas, designers, fotógrafos, modelos entre outros ligados ao universo da cultura e moda de Campo Grande MS. Esta rede colaborativa contribuiu com o lançamento de diversas marcas de moda autoral campo-grandense, proporcionando aos seus criadores e empreendedores o atendimento necessário e especializado para a confecção de coleções exclusivas e personalizado.

“Vendemos serviço. O nosso cliente é criador de moda autoral, que vende em espaços colaborativos. O meu serviço é o produto deles”, explica Ivani.

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