Mesmo de MS, Éderson divide opiniões na Capital

Éderson se apresentou ontem (8) à equipe brasileira, nos EUA - Foto: divulgação/CBF
Éderson se apresentou ontem (8) à equipe brasileira, nos EUA - Foto: divulgação/CBF

Convocação de campo-grandense reacende debate sobre o momento da Seleção à véspera do Mundial

 

A convocação do sul-mato-grossense Éderson, 26 anos, atualmente na Atalanta-ITA, para a vaga do lateral Wesley — cortado após lesão no amistoso contra o Egito, sábado (6), em Cleveland — movimentou torcedores e reacendeu o debate sobre o momento da Seleção Brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Nascido em Campo Grande, o jogador curtia férias na capital do Estado quando recebeu o chamado do estafe do técnico Carlo Ancelotti.

Ele chega como opção de última hora e carrega expectativas distintas entre os brasileiros.

A mudança na lista ocorreu após a confirmação da lesão de Wesley, que o tirou da competição. A comissão técnica optou por Éderson, que vive boa fase no futebol italiano, como alternativa para reforçar o meio-campo. Sem passar por times de Mato Grosso do Sul que disputam os torneios locais – como Operário e Comercial, por exemplo – o jogador teve destaque nacional, sobretudo no Cruzeiro, Corinthians e
Fortaleza.

A escolha, no entanto, não passou despercebida — e dividiu opiniões entre torcedores mais otimistas e outros bastante céticos.

Entre os que acreditam no potencial do volante, o entusiasmo é evidente. O autônomo Eudes Eduardo da Silva Oliveira, de 29 anos, demonstra confiança no desempenho do jogador. “Vai bem, vai dar bom, vai dar certo”, afirmou. Apesar disso, ele vê dificuldades no caminho da Seleção. “Tá complicado”, completou.

Para o vendedor Celso Henrique, de 54 anos, o momento do jogador também pode ser determinante. “Sim. Pela fase que ele está, acho que vai ser uma boa opção”, afirmou. Ele destaca ainda o clima positivo entre os torcedores: “A população está em peso, pintando, fazendo enfeites. Está mais envolvida que em outras Copas”.

A confiança aparece também no discurso do comerciante Pedro Gilson, de 52 anos, que vê o Brasil competitivo na disputa. “Acredito muito nele. E tenho fé que dessa vez o Hexa vem”, disse. Para ele, o cenário internacional favorece a Seleção:“Os grandes que têm que correr atrás. Vamos comendo pelas beiradas e vamos nos dar bem”.

Já o auxiliar de produção Ailton Vilela, de 32 anos, aposta até em um fator simbólico para o sucesso de Éderson. “Que ele traga sorte, como o Muller, último campo-grandense convocado trouxe”, comentou, relembrando o então atacante do São Paulo, que integrou a lista de convocados do técnico Carlos Alberto Parreira para a Copa de 94 e que voltou tetracampeão. Aílton reforça a confiança no espírito brasileiro: “Não tem favorito hoje. Mas temos cinco estrelas, somos os maiores. Vamos pra cima”.

Desconfiança e críticas ao perfil da seleção

Se por um lado há otimismo, por outro a desconfiança ainda marca parte da torcida. O serralheiro Ozano Rocha, de 58 anos, é direto ao analisar o atual momento da equipe. “É um time todo maquiado, enfeitado. Cabelinho na régua, sobrancelha feita, barbinha, corpo cheio de tatuagem. Parece mais um gibi do que jogador”, criticou. Para ele, falta o principal: “Falta raça. Antigamente era da cintura pra baixo, pegada. Jogavam pelo amor da camisa”.

Ozano, que não sabia da convocação de Éderson, também demonstra pouca esperança em uma campanha vitoriosa. “Se ganhar os três primeiros jogos é um milagre. Acho que nem isso”, afirmou, evidenciando o distanciamento de parte dos torcedores em relação à Seleção.

Outro que não acompanhou de perto a convocação, o engraxate Josias de Oliveira, de 67 anos, acredita em uma evolução gradual do time, mas tem uma visão cautelosa. “Temos um técnico italiano que conseguiu classificar bem a seleção. O time está em processo de aperfeiçoamento”, avaliou. Ainda assim, ele pondera sobre o desempenho: “Na fase de grupos, passa tranquilo. Quero ver no mata-mata”. (com Luciano Shakihama).

 

Por Ricardo Prado

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