Dia Mundial da Obesidade: Diagnóstico, tratamento e prevenção

Reprodução/Internet

Falar em obesidade não é tarefa fácil. É um assunto delicado, que exige esforço e muito jogo de cintura. Para ajudar nessa conscientização, foi criado o Dia Mundial da Obesidade, comemorado no dia 4 de março, para incentivar crianças e adultos que sofrem com a doença a terem hábitos mais saudáveis e a começarem um tratamento adequado para tentar reverter a situação.

De acordo com o médico endocrinologista e professor do curso de Medicina da Uniderp, Walter Rodrigues Junior, vários fatores podem levar ao acúmulo de peso. A obesidade pode ser decorrente de predisposição genética, fatores emocionais e doenças endocrinometabólicas.

“Porém, a causa essencial, na grande maioria dos casos, é decorrente de um estilo de vida inadequado à boa saúde. O sedentarismo e a ingestão alimentar exagerada de carboidratos e gorduras é que são as principais causas desta epidemia mundial de obesidade que estamos vivendo”, revela o médico.
A obesidade é definida como o acúmulo excessivo de gordura corporal e pode ser constatada pelo IMC (Índice de massa corpórea I), que embora seja sujeito a algum equívoco, é um método útil e muito empregado.

“O IMC é calculado dividindo-se o peso em Kg pela altura elevada ao quadrado em metros (Kg/m²). Os valores normais dessa medida, que correspondem ao peso ideal, são entre 18,5 e 24,9. Indivíduos com esse índice entre 25 e 29,9 são considerados com sobrepeso; aqueles entre 30 e 34,9 com obesidade grau 1; entre 35 e 39,9 com obesidade grau 2, e a partir de 40 com obesidade grau 3 (obesidade mórbida)”, explica Walter.

O endocrinologista ressalta que a distribuição da gordura no organismo é determinante no prognóstico do indivíduo. “Obesos que têm gordura predominantemente no abdome são mais propensos a desenvolverem diabetes e doenças cardiovasculares.

Dados do Ministério da Saúde mostram que em Campo Grande-MS, 58% da população adulta estão acima do peso e 22,5% têm obesidade. Segundo dados do IBGE, 61,7% dos brasileiros a partir dos 20 anos estão acima do peso ideal, sendo que 26,8% estão com obesidade propriamente (30,2% das mulheres e 22,8% dos homens). Esses números de prevalência da obesidade no Brasil vêm crescendo de forma assustadora, já que aumentaram mais do que o dobro nos últimos vinte anos.

Combatendo a obesidade

O excesso de peso deve ser prevenido e combatido. Existem medicamentos que podem auxiliar o obeso a emagrecer, porém, não existe nenhum remédio “milagroso” para esse fim. “O tratamento da obesidade deve ser baseado, principalmente, na busca contínua de um estilo de vida saudável, através de uma alimentação adequada às necessidades quantitativas e qualitativas do organismo, e da prática regular de atividade física, de pelo menos 150 minutos na semana”, aconselha.

Problemas causados pela obesidade

O médico endocrinologista afirma que esta doença pode causar complicações graves, como por exemplo, cegueira, distúrbios cardiovasculares, insuficiência renal e amputação de membros. “A obesidade também pode causar hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, infarto do coração e ainda predispor a câncer de mama, útero, esôfago e intestino grosso. Em Campo Grande 12,3% das pessoas acima dos 30 anos têm diabetes”, elucida.

Pandemia x obesidade

Um relatório lançado na última quinta-feira (4), mostra que 2,2 milhões das mortes por Covid-19 em todo o mundo, de um total de 2,5 milhões, aconteceram em países com altos índices de obesidade.

O levantamento também revela que a taxa de mortalidade é multiplicada por dez em países em que mais de 50% da população está acima do peso. Nenhum país com baixo índice de sobrepeso (até 40%) tem alto índice de mortalidade, ou seja, maior que 10 a cada 100 mil pessoas.

“Atualmente, estamos passando por uma terrível pandemia, de alta mortalidade, causada por um coronavírus, que está acometendo as pessoas indistintamente. Entretanto, existem algumas doenças que tornam o indivíduo mais suscetível a complicações quando contrai a covid-19. A obesidade é uma condição que deixa o organismo num ‘estado inflamatório’, que pode ser potencializado pela infecção pelo coronavírus, levando o paciente, em muitas ocasiões, a ter um quadro clínico muito grave e desfavorável”, conclui Walter.

(Texto: Bruna Marques)

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