Comércio amarga mais uma vez com restrições no Estado

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Empresários chegaram a estocar, fazer empréstimos e fechar contratos

Com inúmeros estabelecimentos no Estado, o ramo comercial vê sua atuação amargar mais uma vez em virtude da pandemia. Com a nova classificação de bandeira cinza para Campo Grande e mais 42 municípios de Mato Grosso do Sul, atividades consideradas não essenciais estão proibidas de funcionar, como shoppings, bares e restaurantes.

Segmento mais atingido, o comércio sofre com as novas medidas restritivas e o terror assola quem havia se programado para os próximos dias de funcionamento. Estoques de comida perecível, fechamento de contratos e até empréstimos bancários entram na lista do desgosto de quem se organizou para dias de trabalho. No Dia dos Namorados, data em que o faturamento é maior para as empresas do setor, lugares reservados por casais já não têm mais validade.

“Situação indignante, é um sentimento de traição. Num momento tão importante para nós, mudaram a regra do jogo no meio do jogo. Fomos pegos de surpresa. A gente vem conversando com o governo há uma semana. E estavam dizendo que a classificação ficaria na bandeira vermelha e, de repente, chega essa bandeira cinza”, disse, consternado, Adelaido Vila, presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande).

Vila relata ainda que há um sentimento de desespero entre os empresários. “Eles estão todos apavorados, em pânico, teve gente que falou até em suicídio. A pessoa fez empréstimo no banco para comprar o peixe que venderia amanhã, e agora é pega de surpresa. Tem gente sem saber o que fazer da vida, que fez propaganda em mídias, rádios. Se o governo tivesse falado antes, com uma previsibilidade, a gente teria como se programar. Não teríamos feito gasto e investimentos. A vontade é de chorar.”

Recurso judicial

Roberto Oshiro, diretor da  ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), confirma um mandado de segurança impetrado na Justiça para reverter a decisão de fechamento do comércio. “Vamos entrar com mandado de segurança e acreditamos que ele tem legalidade. Já estamos elaborando no escritório para ver se conseguimos entrar na justiça. O presidente da ACICG já decidiu e a Abrasel também assina em conjunto.”

Segundo Oshiro, alguns dos argumentos utilizados estão relacionados à incoerência que fere o decreto estadual, em que o Prosseguir (Programa de Saúde e Segurança na Economia) devia somente recomendar ações, e não defini-las. De acordo como o diretor da associação, as regras do programa são feitas por uma consultoria contratada pelo governo estadual, e suas alterações ocorrem a “bel-prazer”.

(Texto: Felipe Ribeiro)

 

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