Campão tem mercado de criação de moda autoral em expansão

Arquivo Pessoal/Ivani

Trabalhando com marcas autorais locais como Mi Corazon, Ntees, Dead Angel, Offer, Lileste, Touché e Capttain, a costureira Ivani M. C. Grance, 50 anos, vê o mercado da moda em franca expansão em Campo Grande. Não só pela quantidade de trabalho, mas pelas formação. Graduada em ciências sócias e mestre em antropologia social, ela criou a República das Arteiras para prestar serviço a este público.

Ela conta que apenas quatro marcas mantiveram produção contínua desde maio em 2020: Mi Corazón, Ntees, Dead Angel e Offer. “Atendemos outras também, porém com produção esporádica, dentre estas está a Lileste, Touché, Capttain, Okami enfim apesar de todos os contratempos causados pela pandemia nossa produção se manteve, inclusive com desempenho financeiro melhor que o mesmo período do ano anterior”, revela. Apesar de todos os contratempos, inclusive, reduzir de três costureiras para duas, já que a pandemia forçou Priscila Manuela Rodrigues, 36 anos, a sair do coletivo para socorrer o negócio de roupa local no bairro Guanandi e ajudar o marido. Ficou ela e Maria de Fátima Pereira, 67 anos.

Elas estavam na Incubadora Mário Covas que teve as atividades encerradas no meio do ano passado e agora o ateliê ficou divido por causa da crise do coronavírus. “Aqui em casa faço o atendimento e corte das peças e do outro lado da rua, na casa da Maria de Fátima, ficam as máquinas e a gente costura lá. Essa é uma das mudanças que a pandemia nos forçou a fazer, mas está ótimo assim. Está dando para atender assim”, conta. Pesquisadora da área, Ivani afirma que desde 2015 notou o potencial de crescimento muito grande na área.

Dados

“No começo de 2016 eram 30 criadores de moda e no final de 2019 já passavam de 200. É significativo os criadores movimentando a economia com a moda autoral, embora seja uma movimentação pequena por pessoa em termos de quantidade de produto, mas é grande a quantidade de pessoas fazendo isso. É um mercado de trabalho emergente que não está sendo observado pela autoridades com políticas públicos para atender este tomador de serviço”, analisa. Para ela este ano é preciso que seja criada uma linha de acesso a quem faz políticas públicas para preparar, qualificar a mão de obra abra deste segmento. “Ele circulam a economia dentro de Campo Grande e precisam ser olhados com atenção”, cobra.

Mesmo surpreendendo todo mundo, 2020 foi um ano de adaptação. A República das Arteiras produziu somente máscaras por quase dois meses, principalmente como trabalho voluntário para hospitais e UPAs (Unidade d Pronto Atendimento) e até maio também fizeram o produto mais cobrado do ano para alguns clientes. “Foi bem tenso e preocupante este período. Em seguida, em junho houve uma virada com alguns clientes, não tivemos muitas marcas. A maioria que teve planejamento de coleção em janeiro não tocou para a frente, ficamos com três ou quatro clientes fazendo rodizio, camiseta e uniforme para empresa . Não paramos de junho até dezembro e ainda fiquei com serviço de dezembro para janeiro”, analisa.

O que aconteceu de diferente neste período de retomada de trabalho foi o interesse de alguns criadores de marca autoral pela técnica de upcycle. “Eles desenvolveram alguma coisa neste sentido, não foi lançado em 2020. Será lançado este ano”, revela. Aliás, paDadosra 2021, ela pretende vencer desafios. A visão do pessoal de costura de Campo Grande é muito fechada para o mercado da moda porque o forte aqui é facção de camisetas. É camiseteria, é uniforme escolar e esportivo. O desafio é conseguir mobilizar pessoas que gostam de costurar para que enxergue no mercado de trabalho potencial de trabalho e renda. Meu projeto é reunir prestador de serviço e cliente. Quanto mais espaço tivermos para falar do setor de moda e economia local é será maravilhoso”, conclui.

Criadores de Moda autoral em Campo Grande

O trabalho da moda autoral em Campo Grande é feito em rede colaborativa. Ivani explica que não há atravessadores e que os clientes são compartilhados. “Funciona quando um criador de moda vem sem noção do que precisa para o que quer. Eu faço o atendimento encaminho para o que ele precisa: tecido, fornecedor, estamparia, etiqueta, embalagem, enfim, fazemos o acompanhamento do começo ao fim. Damos esta consultoria. Se é uma camiseta não cobro o preço da estampa passo, ele para a estamparia e ele negocia direto. Modelagem também encaminhamos para modelista. Assim, ganhamos tempo. Aqui fazemos corte e costura. Ganhamos tempo e compartilhamos o trabalho com outros profissionais da área”, orienta.

Ivani lembra que quem começou a trazer clientes para a República das Arteiras foi Nathany Gimenez da GMZ Urban. As marcas Ludic e Canarito seguiram puxando o fio da rede. “O trabalho coletivo foi muito bom para gente, divulgou bastante nosso trabalho no meio dos criadores de moda autoral. Até hoje vem clientes até nós trazidos por outros clientes. Não temos nada de publicidade. Nossas redes sociais são bem fraquinhas neste aspecto, mas não falta trabalho porque um sempre está trazendo outro”, avalia.

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