O longa-metragem foi selecionado para a Mostra Competitiva deste ano e representará Dourados
Além de festas juninas, Copa do Mundo de Futebol e a chegada do inverno, o mês de junho é reservado para uma celebração de resistência e diversidade: o Dia do Orgulho LGBT, celebrado no dia 28. Em Mato Grosso do Sul, uma história de amizade, luto e pertencimento chega às telas do BonitoCinesur – Festival de Cinema Sul-Americano, com o longa-metragem ‘Natasha’, produzido no Estado.
A longa-metragem foi selecionada para a Mostra Competitiva deste ano e representará o município de Dourados na 4ª edição do evento, que será realizado entre os dias 24 de julho e 1º de agosto de 2026, em Bonito, ao lado de produções de toda a América do Sul.
A produção acompanha Nicole, Inês e Leona, amigas de Natasha que, após o assassinato dela, transformam o luto em movimento. Com poucos recursos e uma Kombi emprestada, elas atravessam Mato Grosso do Sul até Mato Grosso para realizar o sonho que a amiga não pôde viver: participar do concurso de drag queens Raio de Sol do Pantanal.
O que começa como homenagem se transforma em uma travessia marcada por afeto, memória e resistência. Pelo caminho, as personagens enfrentam preconceito, invisibilidade e desafios constantes, enquanto são levadas a confrontar suas próprias histórias, medos e identidades.
Do formato seriado à tela grande
A seleção marca um novo capítulo para uma história que começou em Dourados, em 2017, como série, e agora ganha formato de longa-metragem. Com aproximadamente duas horas de duração, o filme revisita a trajetória de suas personagens em uma narrativa sobre amizade, luto, diversidade e busca por pertencimento.
Baseado no roteiro de Antoni Magalhães, Natasha nasce da adaptação para o cinema da série homônima de 13 episódios, dirigida originalmente por Thiago Rotta e Rafael Rotta. A transformação em longa foi conduzida por Ana Ostapenko, diretora da adaptação cinematográfica, em parceria com Kojiro, responsável pela direção de edição e montagem.
O trabalho resultou em uma narrativa renovada para a tela grande, preservando a força afetiva, estética e temática da produção original. A delicadeza com que aborda vivências LGBTQIAPN+, somada à força de seus personagens, consolida Natasha como uma obra marcante do audiovisual sul-mato-grossense.
Para Ana Ostapenko, a seleção representa o reconhecimento de um processo conduzido com dedicação e sensibilidade.
“Receber a notícia de que Natasha foi selecionado para o Bonito Cinesur é uma alegria imensa. Este é meu primeiro longa-metragem como diretora de adaptação para o cinema e vê-lo integrar a programação de um festival sul-americano tão relevante é emocionante. Estar ao lado de produções de diversos países reafirma a potência das histórias produzidas em Mato Grosso do Sul”, destaca.
Responsável pela direção de edição e montagem, Kojiro ressalta o desafio de transformar uma obra seriada em uma experiência cinematográfica.
“Desde janeiro estivemos dedicados a compreender como transformar uma série em uma experiência cinematográfica única, preservando toda a identidade visual construída na produção original. Ver esse esforço reconhecido por um festival da importância do Bonito Cinesur nos dá a certeza de que o caminho escolhido foi o correto”, afirma.
Além disso, um dos compromissos da adaptação era não perder a sensibilidade e a representatividade presentes na obra original.
“São 13 episódios de 26 minutos da série original, que os Irmãos Thiago e Rafael Rotta me cederam para criar uma linha narrativa de duas horas. Sendo assim, o roteirista Antoni Magalhães construiu essa linha de acordo com o que eu pensei para o longa, e lá fomos eu e Kojiroh para a sala de edição; foram 3 meses de cortes, ajustes e muita sensibilidade para trazer à vida Natasha, o filme, com tudo que ele merece: romance, comédia, resistência e vida, muita vida”, explicou a diretora da adaptação.
A seleção para a mostra competitiva coloca uma produção sul-mato-grossense com protagonismo LGBTQIAPN+ em diálogo com filmes de toda a América do Sul. Ana ainda destaca que essa conquista representa todas as vidas queer de Mato Grosso do Sul.
“A série foi feita com equipe majoritariamente diversa, e transformar toda essa história num filme sensível, que teve os olhos do júri voltados, é maravilhoso. Eu mal vejo a hora de exibir Natasha no festival, de falar com o público, de pedir votos e de ver as considerações sobre o filme. Meu primeiro longa-metragem ganhando o mundo, com esse tema, é fabuloso, um filme feito por muitas mãos, totalmente independente, traz um peso, uma representatividade e mostra que o audiovisual do nosso estado é rico, diverso e potente”.
Novas estradas
Um dos criadores e diretores da série original, Thiago Rotta, avalia que a participação no festival representa um passo importante para a circulação da obra.
“O Bonito Cinesur se consolidou como uma vitrine fundamental para o cinema sul-americano e para a produção regional. Estamos muito felizes com a seleção e ansiosos para compartilhar essa história que nasceu aqui em Mato Grosso do Sul”, pontua.
Para Ana, levar o filme ao festival em pleno Mês do Orgulho mostra a importância da narrativa e a disseminação do cinema regional para outros públicos.
“É demais de importante levar um filme LGBTQIAPN+ do interior do Brasil para os festivais. São narrativas que vêm do Brasil profundo e que estão em qualquer sala, em qualquer cidade do país, com uma pitada pantaneira. É fazer o público conhecer o nosso cinema, o audiovisual que se faz aqui, com muito amor, carinho e resistência, mostrar além do óbvio quando se trata de Mato Grosso do Sul”, disse ao jornal O Estado.
O trailer oficial de Natasha já está disponível no YouTube e antecipa a atmosfera da produção, marcada por afeto, memória e resistência. Para assistir, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=Omhhnbun13E.
Por Carolina Rampi