26 maio 2020, 8:53

Quarentena e a internet: os limites na infância

Crianças e adolescentes de hoje já nasceram conectados, mas isso não significa que o acesso deva ser ilimitado.

Não há como negar a importância da internet nos dias de hoje. Mas quando falamos da utilização das redes sociais por parte das crianças e dos adolescentes é necessário que limites sejam estabelecidos para que não ocorra o uso indiscriminado, principalmente durante o isolamento social onde os pequenos tiveram suas aulas suspensa e não podem visitar os avós, ou brincar na casa de um amigo.
Muitas pessoas em todo o mundo têm perfis e compartilham fotos, arquivos, ideias e mensagens em plataformas como Facebook, Twitter, WhatsApp, Instagram, Youtube, entre outras. Apesar de todas essas vantagens que esses espaços oferecem, eles também são considerados a face mais perigosa do universo virtual.
Isso porque as crianças são colocadas diante de uma tela cheia de possibilidades e informações quando ainda estão desenvolvendo a capacidade de discernir o que é verdadeiro ou falso e bom ou mau. De acordo com a professora do curso de Pedagogia e Educação Física da Anhanguera, Erika Karla Barros da Costa, a rede pode virar uma porta aberta para diferentes perigos.
“É importante que os pais assegurem um ambiente virtual seguro que favoreça um desenvolvimento positivo às crianças e adolescentes e que não comprometa seu desenvolvimento físico e emocional. A família precisa ter uma atitude proativa diante desta questão com o sentido de evitar, prevenir e proteger as crianças e adolescentes. Quanto à questão do cyberbullying, é recomendado que medidas sejam aplicadas, como ficar atentos às mudanças comportamentais dos filhos observando de perto com quem estes se relacionam na internet, o que costumam escrever, assistir e quanto tempo permanecem nesta interação, estimulando a prática de atividades sociais e esportivas e da interação com seus pares”, orienta a pedagoga.
A chamada Geração Z precisa de supervisão dos pais quanto ao acesso explorado na internet. Uma das medidas mais importantes é o diálogo claro e aberto sobre o conceito de risco e segurança online.
“Explicar quais conteúdos são permitidos, quais atividades são apropriadas ou inapropriadas, os riscos de divulgação de informação pessoal, como imagens ou dados pessoais ou familiares, ensinar sobre responsabilidade daquilo que se posta mostrando os impactos que ações realizadas e os conteúdos postados são compartilhados de forma instantânea. É necessário reiterar que depois de postado, é muitas vezes impossível de remover o conteúdo virtual”, aconselha a profissional.
As crianças e os adolescentes da atualidade estão crescendo em um mundo interligado e conectado nas redes sociais e internet; porém, não significa que o acesso destes deva ser ilimitado. Eles estão expostos a muitas possibilidades e informações quando ainda estão em processo de desenvolvimento e capacidade de discernimento sobre o que é permitido ou não e sobre os perigos que as informações ali presentes podem oferecer. Segundo a professora, alguns cuidados precisam ser tomados pelos pais, quando se trata deste tema.
“Crianças menores de 13 anos podem acessar algumas redes sociais específicas para a faixa etária infantil e somente os maiores de 16 anos ou mais podem ter perfil nas redes mais conhecidas como Whatsapp. Quando permitido pelos pais a criação de contas nas redes sociais, estas devem ser monitoradas e o uso de celular e internet precisa ter um controle específico de horário diário como por exemplo, após a realização do estudo, das obrigações escolares e da prática de algum esporte, ou ainda o acesso permitido por um determinado tempo, máximo de quarenta minutos a uma hora diária para conversas e interação com seus colegas”, recomenda Erika.
É de extrema importância que os papais e as mamães controlem o que e com quem seus filhos conversam nas redes sociais. “Os pais devem ter acesso à senha e se necessário utilizar mecanismos de controle parental, como softwares, pois assim limitam o acesso a determinados conteúdos e até o tempo de navegação. Para os mais velhos que podem acessar a rede em outros dispositivos a distância, estabelecer o diálogo é a melhor forma de educar”, explica.
Embora nem imaginemos, o uso excessivo do celular pode causar muitos problemas de saúde, tanto para crianças, adolescentes e até para os adultos. O celular é utilizado por muitas pessoas nos mais diversos lugares, como locais públicos, hospitais e banheiros. Esse fator faz com que o celular seja um grande acumulador de micróbios e bactérias. Por causa disso, ele pode ser um grande disseminador de doenças e infecções. Podemos também ter problemas de postura corporal, complicações oculares, distúrbio do sono e até problemas psicológicos, por conta da dependência da tela e do aparelho. O excesso de contato com aparelhos eletrônicos pode também causar distúrbios de sono, queda do rendimento escolar, problemas de audição, problemas de visão, como por exemplo a síndrome do olho seco, dores de cabeça e até deficiência de vitamina D.
Dicas para os pequenos usarem a internet
Segundo a professora, dentre as orientações, um direcionamento de extrema importância é a necessidade de os pais estabelecerem limites de horários para utilização da internet. As horas nas redes sociais devem ser equilibradas com práticas esportivas, brincadeiras e atividades ao ar livre. Esse cuidado é essencial, pois o uso excessivo da internet pode gerar consequências pouco saudáveis.

*Verificar e monitorar a classificação indicativa de jogos, filmes, vídeos e demais conteúdos on-line que as crianças e adolescentes acessam;
*Permitir somente conversas online para falar com pessoas conhecidas, como os próprios familiares, amigos e colegas da escola (sempre tendo a monitoria dos pais);
*Usar softwares que atuam como filtros de segurança e monitoramento de senhas e sites permitidos;
*Orientar sobre a gravidade de mensagens e imagens ofensivas, discriminatórias, ameaçadoras ou obscenas, e instruir para que os pais sejam comunicados se algo semelhante ocorrer;
*Proibir o acesso a redes sociais com classificação etária superior à idade da criança e adolescente;
*Deixar bem claro que nunca forneçam informações pessoais, senhas, envio de fotos, nem aceitem brindes, prêmios ou presentes oferecidos na internet.

(Texto:Bruna Marques)

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