20 novembro 2019, 0:47
Investing/Reprodução

Pós-primárias: Pânico nos mercado financeiro da Argentina

Depois da emblemática vitória de Alberto Fernández nas eleições primárias, com percentual muito maior que as pesquisas apontavam, o mercado financeiro na Argentina reagiu, com mais desvalorização do peso e queda nas ações das empresas argentinas em Wall Street. Algumas das perdas de valor superaram o patamar de 50% na principal bolsa do mundo. Já a moeda do país manteve o drama que atinge a cotação frente ao dólar em 30%, no pregão desta segunda-feira (12).Para comprar um dólar eram necessários 60 pesos, frente aos 45 (ou menos) da última sexta-feira (9).

Os mercados apoiam claramente Macri. Sua reação nesta segunda-feira foi ainda mais virulenta que o esperado depois de viver uma jornada de euforia na última sexta, após a divulgação de pesquisas que apontavam o triunfo do atual presidente por uma pequena margem — um cenário muito distante do vivido neste domingo. Os surpreendentes quase 15 pontos de diferença entre Fernández e Macri, 47% contra 32%, preparam o caminho do ex-chefe de Gabinete dos Kirchner rumo à Presidência. Se o resultado for mantido nas eleições gerais de outubro, Fernández seria eleito chefe de Estado sem a necessidade do segundo turno. Macri se antecipou na noite de domingo a uma segunda-feira que seria complicada. Depois de reconhecer sua derrota, pediu a Alberto Fernández que colabore com a governabilidade. “Eu farei a minha parte, como sempre; os vencedores de hoje também têm a sua responsabilidade”, disse na sede da coalizão Juntos pela Mudança.

O candidato da peronista Frente de Todos é visto como mais moderado que sua companheira de chapa, a ex-presidenta Cristina Kirchner. Ainda assim, durante a campanha ele afirmou que seu governo reduzirá a atual taxa de juros recorde do Banco Central da Argentina (60%) e buscará uma renegociação do empréstimo de 57 bilhões de dólares (227 bilhões de reais) contraído por Macri ante o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A depreciação do peso se vislumbrava desde cedo, quando os principais bancos vendiam o dólar a mais de 50 pesos a unidade em suas operações on-line. Mas a moeda argentina despencou logo que começaram as operações cambiais, chegando a figurar a 61 pesos em alguns telões.

Em Wall Street, os papéis argentinos sofriam uma segunda-feira terrível, em especial os dos bancos e das companhias de energia. As ações do Grupo Financiero Galicia caíam mais de 57,5%, as do Grupo Supervielle quase 60%, as da Pampa Energía eram negociadas com uma baixa de 43% e as da YPF com uma queda de 36,7%. A empresa de tecnologia Mercado Libre também perdia 12%, menos que as demais.

A brusca desvalorização do peso teve um impacto nas demais economias regionais. Esta manhã, o real depreciou-se 1,5%, o peso mexicano 1,46% e o peso chileno, 0,85%.

A cotação do dólar tem uma importância essencial na vida política e econômica argentina. É a moeda de poupança que os argentinos usam para se protegerem das crises recorrentes. Seu valor influi muito na inflação, não só pelo aumento das peças e dos produtos importados, mas porque as fábricas e lojas aumentam os preços com rapidez para tentar minimizar possíveis perdas. (Danilo Galvão com informações do El País)

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